Aliança acima das emoções
O problema de muitos
casamentos não começa na falta de amor, mas na ausência de entendimento sobre o
que sustenta uma aliança. Pessoas entram em relacionamentos acreditando que
apenas o sentimento será suficiente para levá-las até o fim da estrada. Mas sentimentos
são como ondas. Há dias de calmaria e dias de tempestade. Há momentos em que o
coração transborda afeto e outros em que tudo parece seco e silencioso. Quem
constrói um casamento apenas sobre emoções descobrirá cedo ou tarde que emoções
não conseguem sustentar uma cruz.
Por isso o verdadeiro
casamento precisa estar firmado sobre duas colunas inegociáveis: aliança
e propósito. Sem propósito, qualquer dor parece grande demais. Sem
aliança, qualquer frustração se torna motivo para desistir.
O casamento sempre foi
mais profundo do que duas pessoas tentando ser felizes juntas. Desde o
princípio, Deus desenhou o casamento para refletir algo eterno. Em Efésios 5,
Paulo compara a união entre marido e mulher ao relacionamento entre Cristo e a
Igreja. Isso muda tudo. Porque Cristo não se uniu à Igreja baseado em
conveniência, emoções momentâneas ou expectativas egoístas. Ele Se uniu por
amor sacrificial e propósito eterno.
Jesus sabia das falhas da
Igreja antes mesmo da cruz. Sabia das quedas, das traições, das fraquezas e das
incoerências. Ainda assim permaneceu. Ainda assim amou. Ainda assim perseverou
até o fim. O amor de Cristo não nasceu da perfeição da noiva, mas da aliança
estabelecida pelo Pai.
É exatamente aqui que
muitos relacionamentos se quebram. Há pessoas que não se uniram por propósito,
apenas por necessidade emocional. Talvez buscassem alguém que suprisse
carências, validasse inseguranças ou realizasse expectativas pessoais. E quando
perceberam que o outro era humano, imperfeito e limitado, vieram as
frustrações. Afinal, muitas vezes a expectativa é a mãe da frustração. Quem
cria um personagem em sua mente sofrerá quando encontrar uma pessoa real diante
de si.
A verdadeira aliança não
se apoia na fantasia. Ela permanece mesmo quando as máscaras caem. Porque
propósito não combina com camuflagem. No propósito, você ama conhecendo
defeitos. Permanece enfrentando frustrações. Continua caminhando mesmo quando o
outro está em processo de amadurecimento.
Casamento é como uma
construção feita sobre pedras e não sobre areia. Jesus ensinou em Mateus 7 que
a casa edificada sobre a rocha resistiu à chuva, aos ventos e às tempestades. O
diferencial não foi a ausência da tempestade, mas o fundamento. Todo casamento
enfrentará dias difíceis. Haverá momentos de desgaste, silêncio, lágrimas e
renúncia. Mas quando existe propósito, a tempestade não destrói, apenas revela
a profundidade da estrutura.
O amor verdadeiro não é
aquele que permanece apenas enquanto recebe. É aquele que continua mesmo quando
precisa sacrificar. Foi isso que Cristo fez. Ele Se entregou, perdoou e
perseverou. Enquanto muitos desistem no primeiro deserto emocional, Jesus foi até
o Calvário por amor à Sua aliança conosco.
Tim Keller escreveu algo
profundamente verdadeiro em “O Significado do Casamento”: “Ser
plenamente conhecido e verdadeiramente amado é muito parecido com ser amado por
Deus”. Essa talvez seja uma das experiências mais poderosas da vida. Porque
todos nós temos medo de sermos vistos por inteiro. Medo que descubram nossas
falhas, fraquezas e imperfeições. Mas quando alguém conhece o nosso pior e
ainda decide permanecer, isso cura lugares profundos da alma.
É exatamente assim que Deus nos ama. Ele conhece tudo sobre nós e ainda assim não desistiu. E um casamento firmado em Cristo aprende a refletir esse mesmo amor. Um amor que abandona a hipocrisia, rompe com o egoísmo e entende que a aliança vale mais do que o orgulho. Porque no final, não terminam aqueles que apenas sentiram muito. Chegam ao fim aqueles que decidiram permanecer mesmo quando sentir se tornou difícil.
Pr. Rodrigo Deiró


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