Não volte para o Egito
Uma das estratégias mais
perigosas do inimigo não é fazer alguém abandonar Deus de uma vez, mas
convencê-lo a voltar para lugares, pessoas e situações das quais o próprio Deus
já o libertou. Muitas vezes, o maior obstáculo para o avanço espiritual não está
na falta de portas abertas, mas na insistência em permanecer olhando para
portas que o Senhor já fechou.
Existe uma razão pela
qual Deus fecha determinados ciclos. Nem toda porta fechada é castigo. Algumas
são livramento. Nem toda despedida é perda. Algumas são proteção. Nem toda
interrupção é um atraso. Algumas são redirecionamento. O problema é que nem sempre
entendemos isso no momento. Por enxergarmos apenas o que perdemos, deixamos de
perceber aquilo de que fomos poupados.
O povo de Israel conhecia
bem essa luta. Deus os tirou do Egito com mão forte, abriu o mar, derrotou seus
inimigos e os conduziu em direção à Terra Prometida. Mas, mesmo depois de
testemunharem tantos milagres, seus corações continuavam presos ao passado. Em
várias ocasiões, desejavam voltar para o lugar de onde haviam sido libertos. Em
Números 11:5, eles diziam: “Lembramo-nos dos peixes que, no Egito,
comíamos de graça”. O que impressiona é que se lembravam dos peixes,
mas esqueciam os chicotes. Recordavam a comida, mas ignoravam a escravidão.
Sentiam saudade dos benefícios aparentes, mas apagavam da memória a dor que os
fazia clamar a Deus dia e noite.
Essa é uma tendência
humana. O tempo tem a capacidade de suavizar as lembranças ruins e destacar
apenas aquilo que parecia agradável. Por isso tantas pessoas acabam retornando
para relacionamentos que destruíram sua paz, amizades que enfraqueceram sua fé,
hábitos que aprisionaram sua alma e ambientes que as afastaram da presença de
Deus. O passado se veste de nostalgia para esconder as correntes que ainda
carrega.
É como alguém que foi
resgatado de uma casa em chamas e, algum tempo depois, sente vontade de voltar
apenas porque deixou alguns objetos lá dentro. A lembrança dos objetos não muda
o fato de que o incêndio continua sendo mortal. Da mesma forma, aquilo que Deus
removeu da sua vida pode até guardar algumas memórias agradáveis, mas isso não
significa que ainda seja o lugar certo para você permanecer.
Muitas pessoas oram
pedindo crescimento, restauração e novos começos, mas continuam alimentando
conexões com aquilo que Deus mandou deixar para trás. Querem viver o novo
enquanto mantêm os pés presos ao velho. Querem alcançar a promessa sem
abandonar o Egito. Querem experimentar a liberdade sem romper definitivamente
com as correntes.
A maturidade espiritual
começa quando entendemos que sentir falta de algo não significa que devemos
trazê-lo de volta. Nem tudo o que desperta saudade merece espaço novamente em
nossa vida. Existem portas que precisam permanecer fechadas porque atrás delas
estão as distrações que roubariam nosso propósito. Existem caminhos que não
devem ser revisitados porque foram exatamente deles que Deus nos resgatou.
O apóstolo Paulo
compreendeu essa verdade. Em Filipenses 3:13-14, ele declarou: “... esquecendo-me
das coisas que atrás ficam e avançando para as que estão diante de mim,
prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”.
Paulo sabia que ninguém corre para frente olhando para trás. Quem vive preso ao
ontem perde a capacidade de enxergar o que Deus está construindo hoje.
Talvez existam pessoas, lugares ou situações que ainda mexam com suas emoções. Talvez algumas lembranças ainda tentem convencê-lo de que voltar seria uma boa ideia. Mas lembre-se de uma verdade simples e poderosa: Deus não quebrou suas correntes para que você as reconstruísse. Ele não abriu o mar para que você retornasse ao Egito. Ele não te libertou para andar em círculos. Ele te libertou para avançar. O futuro que Deus preparou para você sempre será maior do que qualquer passado que Ele mandou deixar para trás.
Pr. Rodrigo Deiró


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