Nem todos irão com você

 



Nem todos vão conseguir caminhar com você até o lugar onde Deus está te levando. Quando Deus começa uma transformação profunda em nossa vida, inevitavelmente algumas companhias ficam pelo caminho. Não porque Deus perdeu o controle, mas porque crescimento sempre revela quem realmente estava conectado ao propósito e quem apenas estava confortável com a antiga versão de você.

Muita gente suporta quem você era, mas não suporta quem você está se tornando em Deus. Enquanto você estava limitado, inseguro e preso aos mesmos ciclos, tudo parecia aceitável. Mas quando Deus começa a expandir sua mente, alinhar seu coração e despertar seu propósito, isso incomoda pessoas que decidiram permanecer paradas. O crescimento denuncia a estagnação dos outros sem precisar dizer uma palavra.

Foi assim com José. Em Gênesis 37, seus irmãos o chamavam de sonhador, mas o problema nunca foi apenas o sonho. O problema era a evidência de que Deus tinha algo diferente sobre a vida dele. O sonho de José revelava um futuro que os irmãos não suportavam enxergar. Por trás das palavras existia inveja, competição, rejeição e perseguição. Porque pessoas pequenas sempre tentarão diminuir aquilo que Deus decidiu fazer grande.

E é impressionante como o deserto revela os corações. Enquanto tudo está confortável, muitos permanecem perto. Mas quando começa o processo, as máscaras caem. O deserto revela quem realmente ama você e quem apenas amava o benefício de estar perto de você. Revela quem suporta sua presença, mas não suporta o seu propósito. Revela quem celebra você enquanto está abaixo, mas se incomoda quando Deus começa a levantar sua vida.

José descobriu isso da pior forma. Foi traído pelos próprios irmãos, lançado em uma cova e vendido como escravo. Imagine a dor daquele jovem, o silêncio daquela noite e as perguntas dentro da mente dele. Talvez José tenha pensado que os sonhos tinham morrido ali mesmo, no fundo daquele poço escuro. Mas o que José ainda não entendia era que homens podem até tentar atrasar um propósito, mas nunca conseguem destruir aquilo que nasceu no coração de Deus.

O deserto é um lugar doloroso porque ele nos esvazia das falsas seguranças. É lá que percebemos quem realmente está conosco, onde as lágrimas escondidas aparecem e o silêncio parece esmagador. Existem desertos em que você olha para os lados e sente que ninguém acredita mais em você. Há momentos em que até amigos e parentes se tornam instrumentos de desânimo. Há batalhas espirituais, forças contrárias e pensamentos querendo convencer você de que tudo acabou. Mas o mesmo Deus que chamou você no secreto também sustentará você no processo.

O deserto nunca foi o fim para aqueles que Deus escolheu usar. Moisés passou pelo deserto antes de libertar uma nação. Davi enfrentou cavernas antes do trono. Jesus foi levado ao deserto antes de iniciar Seu ministério. O deserto não é abandono, é preparação. É a oficina de Deus para formar homens e mulheres fortes no espírito. Porque é no deserto que Deus quebra o orgulho, cura feridas antigas e ensina dependência. No deserto, você aprende a confiar quando não vê saída, a obedecer mesmo sem aplausos e que a fidelidade de Deus não depende da aprovação humana.

Talvez você tenha perdido pessoas que imaginava que permaneceriam para sempre, alguém que você amava que não conseguiu celebrar sua evolução ou pessoas tenham saído da sua vida justamente quando Deus começou a transformar você. Mas quem abandona você no processo nunca teria estrutura para viver o destino preparado por Deus para sua vida.

Por isso continue caminhando, obedecendo e permanecendo fiel mesmo em silêncio. Porque o que Deus prometeu não depende da aceitação das pessoas, da opinião dos homens ou da ausência de oposição. Depende apenas da fidelidade d’Ele. E quando Deus determina algo, até o deserto se torna caminho para o cumprimento da promessa.

Pr. Rodrigo Deiró

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