Quem governa a sua casa?
“Bem-aventurado
aquele que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos”
(Salmos 128:1)
Imagine uma casa
construída em um terreno extremamente valioso. Sua fachada impressiona, as
paredes estão bem pintadas, os móveis são bonitos e tudo parece transmitir
estabilidade. Quem passa do lado de fora pensa: “Que lar maravilhoso”. Mas, quem
possui a chave principal daquela casa?
A chave representa
autoridade, governo. Quem possui a chave decide quem entra, permanece e como
aquele ambiente será conduzido. A mesma realidade acontece dentro de uma
família. Toda casa possui algo ocupando o centro. O problema é que muitas vezes
não percebemos quem realmente está sentado no trono do lar. Pode ser o dinheiro,
o medo do futuro, a necessidade de aprovação das pessoas, a vaidade, a
carreira, os desejos pessoais ou até mesmo a própria autossuficiência. A
questão não é se existe algo governando. A questão é: quem está governando?
O Salmo 128 apresenta o
retrato de uma família abençoada, mas é interessante perceber onde o salmista
começa. Ele não inicia falando sobre prosperidade financeira, filhos ou
conquistas. Ele começa com algo invisível aos olhos humanos, mas essencial
diante de Deus: “Bem-aventurado aquele que teme ao Senhor e anda nos seus
caminhos”.
Vivemos dias em que
muitas pessoas desejam os frutos da bênção sem se preocuparem com a raiz que
sustenta esses frutos. Querem paz no lar sem obedecer ao Deus da paz e famílias
restauradas sem permitir que o Restaurador governe suas decisões, colhendo uma
árvore que nunca plantaram.
O temor ao Senhor não
significa viver aterrorizado diante de Deus. Significa reverência, submissão e
reconhecimento de Sua autoridade. É olhar para Ele e dizer: “Senhor, a vida
não é minha, a família não é minha, os filhos não são meus, tudo pertence a Ti”.
Existe uma enorme
diferença entre Deus estar presente em uma casa e Deus governar uma casa. Há
famílias que possuem Bíblias abertas sobre a mesa, versículos pendurados nas
paredes e participam dos cultos regularmente, mas ainda tomam decisões sem
consultar ao Senhor. Deus aparece como visita, mas não como Senhor. Muitos
problemas familiares nascem exatamente aqui. Decisões são tomadas pela
impulsividade, palavras liberadas na força da emoção e escolhas baseadas apenas
no sentimento do momento. Depois surgem feridas, conflitos e frustrações. A
Palavra nos ensina em Provérbios 3:5-6: “Confia no Senhor de todo o teu
coração e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os
teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas”.
Perceba que Deus não
pediu para ser reconhecido em alguns caminhos, mas em todos. No casamento, nas
finanças, na criação dos filhos, nas decisões profissionais, nos sonhos e nos
projetos.
Aquilo que governa o
coração inevitavelmente governará a casa. Jesus disse em Mateus 6:21: “Porque
onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”. Se o
coração está no dinheiro, a casa será movida pela ganância. Se está na
aparência, a casa será construída sobre máscaras. Se está no orgulho, a casa se
tornará um campo de guerra. Mas quando Deus ocupa o centro, algo muda na
atmosfera.
Porque onde Deus governa,
o orgulho aprende a pedir perdão. A dureza dá lugar à misericórdia. A frieza
cede espaço ao amor. Isso não significa ausência de problemas, porque até lares
piedosos enfrentam tempestades. A diferença é que uma casa governada por Deus possui
um alicerce que permanece firme quando os ventos chegam.
Talvez hoje existam áreas
da sua casa que ainda estejam sendo dirigidas pela ansiedade, pelo medo ou pela
autossuficiência. Talvez Deus esteja presente, mas ainda não esteja no centro.
Hoje é um excelente momento para devolver a chave principal ao verdadeiro Dono.
Porque famílias felizes não são aquelas que possuem menos problemas. São
aquelas que decidiram permitir que Deus seja Aquele que governa a casa.


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