O Risco da Idolatria


 

O RISCO DA IDOLATRIA

A palavra idolatria vem do grego eidololatria que significa adoração de ídolos”. Em essência, é a prática de adorar ídolos ou qualquer forma de deuses, mas também envolve devoção excessiva a qualquer coisa que se coloca no lugar da adoração a Deus.

No contexto bíblico, a idolatria é descrita como um pecado grave. Nos Dez Mandamentos, encontramos a primeira menção explícita da idolatria: “Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima dos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor, teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem” (Êxodo 20:3-5).

Na prática, qualquer coisa pode se tornar um ídolo se for colocada acima de Deus em nossas vidas. Seja dinheiro, sucesso, prazeres materiais, outras pessoas ou mesmo ideologias e crenças. O que constitui um ídolo é a disposição de nosso coração e nossa mente em priorizar algo ou alguém acima do Senhor – “Guardai-vos, que o vosso coração não se engane, e vos desvieis, e sirvais a outros deuses, e vos inclineis perante eles” (Deuteronômio 11:16). Por isso, em tudo dai graças, reconhecendo somente a Deus como digno de adoração.

De Gênesis a Apocalipse encontramos uma série de advertências e condenações a práticas idolátricas. Um dos exemplos mais famosos de idolatria no Antigo Testamento ocorre no Êxodo, quando os israelitas liderados por Arão, criam um bezerro de ouro para adorar. Esse episódio ocorre logo após Deus ter libertado o povo de Israel do Egito de maneira milagrosa.

“Mas, vendo o povo que Moisés tardava em descer do monte, ajuntou-se o povo a Arão e disseram-lhe: Levanta-te, faze-nos deuses que vão adiante de nós; porque quanto a este Moisés, a este homem que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe sucedeu. E Arão lhes disse: Arrancai os pendentes de ouro que estão nas orelhas de vossas mulheres, e de vossos filhos, e de vossas filhas e trazei-mos. Então, todo o povo arrancou os pendentes de ouro que estavam nas suas orelhas, e os trouxeram a Arão, e ele os tomou das suas mãos, e formou o ouro com um buril, e fez dele um bezerro de fundição. Então, disseram: Estes são teus deuses, ó Israel, que te tiraram da terra do Egito. E Arão, vendo isto, edificou um altar diante dele; e Arão apregoou e disse: Amanhã será festa ao Senhor. E, no dia seguinte, madrugaram, e ofereceram holocaustos, e trouxeram ofertas pacíficas; e o povo assentou-se a comer e a beber; depois, levantaram-se a folgar. Então, disse o Senhor a Moisés: Vai, desce; porque o teu povo, que fizeste subir do Egito, se tem corrompido, e depressa se tem desviado do caminho que eu lhes tinha ordenado; fizeram para si um bezerro de fundição, e perante ele se inclinaram, e sacrificaram-lhe, e disseram: Estes são os teus deuses, ó Israel, que te tiraram da terra do Egito” (Êxodo 32:1-8) 

Aqui, a idolatria revela-se como um substituto para a adoração ao verdadeiro Deus. Com Moisés ausente no monte Sinai, o povo se sentiu inseguro e procurou algo tangível para adorar, resultando na construção do bezerro de ouro.

No entanto, a idolatria não passa imune. As consequências da idolatria na Bíblia são claramente delineadas e são severas. No caso do bezerro de ouro, a ira de Deus é acendida contra o povo – “Agora, pois, deixa-me, que o meu furor se acenda contra eles, e os consuma; e eu farei de ti uma grande nação” (Êxodo 32:10). Moisés intercede, mas ainda assim a idolatria traz consequências desastrosas (três mil homens morrem).

No Novo Testamento, a idolatria também é fortemente condenada. Paulo, em suas cartas, alerta constantemente contra a prática. Ele adverte os coríntios que aqueles que praticam idolatria não herdarão o Reino de Deus – “Não sabeis que os injustos não hão de herdar o Reino de Deus? Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o Reino de Deus” (1 Coríntios 6:9-10).

Para os gálatas, ele inclui a idolatria nas obras da carne que devem ser evitadas – “Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de Deus” (Gálatas 5:19-21).

É claro que a idolatria é vista como um pecado grave e com graves consequências. Entretanto, Deus é misericordioso e está sempre pronto a perdoar aqueles que se arrependem de seus pecados e se voltam para Ele.

Mas é possível fugir da idolatria? A resposta bíblica para essa pergunta é bem clara: é possível sim não se envolver em práticas idólatras!

Na Palavra de Deus temos vários exemplos de homens que não sucumbiram à idolatria. Mesmo em tempos onde a idolatria predominou sobre o povo, Deus sempre teve um remanescente fiel que não dobrou seus joelhos perante os falsos deuses – “Também eu fiz ficar em Israel sete mil: todos os joelhos que se não dobraram a Baal, e toda boca que o não beijou” (1 Reis 19:18).

Assim como Abraão ouviu o chamado do Senhor e entendeu que só há um Deus sobre os céus e a terra digno de ser adorado, o profeta Daniel, em plena Babilônia no centro do paganismo, nos mostrou que é possível adorar o verdadeiro Deus sem se corromper“E entre eles se achavam, dos filhos de Judá, Daniel, Hananias, Misael e Azarias” (Daniel 1:6).

Daniel também fez seus amigos Hananias (Sadraque), Misael (Mesaque) e Azarias (Abede-Nego ou Abednego) que preferiram a fornalha de fogo a se dobrar perante a estátua levantada pelo rei babilônico Nabucodonosor. Com isso, aprendemos que muitas vezes se opor e denunciar a idolatria pode nos custar uma fornalha, uma cova de leões ou um período de isolamento, mas o mais importante é sempre podermos viver a verdade presente nas palavras do salmista: “Eu te louvarei, Senhor, de todo o meu coração; na presença dos deuses a ti cantarei louvores” (Salmo 138:1).

A idolatria é um sistema de valores que criamos, no qual damos mais importância a qualquer outra coisa que a Deus. Há inclusive pastores que fazem do seu ministério um ídolo. Devotam-se tanto a ele que não têm tempo para adorar a Deus, aguardar na Sua presença para ouvi-Lo e ter comunhão com Ele. É hora de quebrar as correntes que te prendem à idolatria!!!

 

Pr. Rodrigo Deiró

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