O Pão e a Justiça de Deus
Cristo é o Pão Vivo que desceu do céu e que, na cruz, foi partido para que pudesse ser repartido não só para alguns ou para os ricos e poderosos, mas para todos que tem fome. A mensagem do Cristo crucificado para o mundo é: venham todos que tem fome.
O título "O Pão e a Justiça de Deus" propõe uma profunda reflexão teológica e ética sobre o papel da Igreja e dos cristãos diante da fome no mundo, a partir de uma leitura cristocêntrica e social do Evangelho. Em sua essência, a mensagem central é a de que Cristo, sendo o "Pão Vivo que desceu do céu", ofereceu-Se na cruz como alimento espiritual para toda a humanidade - um gesto universal e inclusivo que rompe com qualquer lógica de exclusão ou privilégio. A carne do Cristo crucificado é apresentada como o sustento para todos os famintos, não apenas de alma, mas também de corpo, reforçando a dimensão concreta e encarnada da fé cristã.
A imagem de Deus que emerge do texto é a de um Pai que nunca abandonou Seu povo ao sofrimento da fome, tendo providenciado desde sempre o pão necessário, culminando na entrega do próprio Filho como alimento espiritual. Contudo, essa dádiva divina impõe uma responsabilidade ética e coletiva à Igreja, chamada a refletir essa mesma generosidade de Deus por meio da partilha do pão físico. Ser Igreja, portanto, não é apenas celebrar o Cristo eucarístico, mas encarnar Sua entrega através de ações concretas que enfrentem a fome como uma injustiça, e não como uma fatalidade.
Nesse contexto, a fome é denunciada como um sinal escandaloso da presença do pecado social: ganância, corrupção, desigualdade e indiferença. A questão não é a ausência de pão no mundo, mas a concentração e o acúmulo egoísta dele, que contradizem a lógica do Reino de Deus. É preciso desmascarar a hipocrisia de uma religiosidade que louva a cruz, mas se recusa a carregar o peso da solidariedade.
O título questiona duramente a espiritualização da fé sem a devida prática do amor, afirmando que é inútil crer em milagres de multiplicação se falta o amor que divide. A fé autêntica, nesse sentido, não se mostra apenas em palavras ou em cultos, mas em atitudes de justiça, partilha e compaixão. Alimentar quem tem fome não é descrito como um ato de caridade opcional, mas como um imperativo de justiça, expressão concreta da vontade de Deus na terra.
A conclusão teológica do títuloo desafia a lógica individualista com a afirmação de que, se Deus é Pai “nosso”, então o pão também deve ser “nosso” e não apenas “meu”. Há aqui uma crítica direta ao egoísmo e à privatização dos bens, contraposta à visão de comunidade e de fraternidade radical que caracteriza o evangelho. Assim, a partilha do pão torna-se sacramento de justiça, expressão visível da presença do Reino de Deus entre os homens.
Deus nunca deixou o Seu povo passar fome ou mendigar o pão - "Fui moço e agora sou velho, mas nunca vi desampaado o justo, nem a sua descendência a mendigar o pão" (Salmo 37:25)
Deus proveu em Seu Filho o pão espiritual, o Pão da vida para o mundo.
Se o Pai é nosso, porque então eu como o pão sozinho? Se o Pai é nosso, o pão não pode ser só meu.
Deus abençoe!
Pr. Rodrigo Deiró



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