O Tabernáculo
O Tabernáculo nunca foi apenas uma tenda erguida no meio do deserto. Ele era a expressão visível de um mistério eterno: o desejo de Deus de habitar entre os homens. Quando o Senhor ordena a Moisés: “E me farão um santuário, e habitarei no meio deles” (Êxodo 25:8), Ele estava revelando algo muito maior do que um espaço de culto. Desde o Éden, o coração de Deus pulsa por comunhão. O Tabernáculo era um anúncio profético de Cristo, o verdadeiro Santuário, e também de nós, que nos tornamos Sua morada pelo Espírito Santo – “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (1 Coríntios 6:19).
Cada detalhe daquele lugar falava de princípios espirituais. Para acessá-lo, era preciso atravessar uma cerca. A cerca já ensinava algo: limites, separação do profano, proteção daquilo que é santo. O Tabernáculo se dividia em três áreas: o Pátio Exterior (onde havia sacrifício e purificação), o Lugar Santo (onde havia serviço e comunhão) e o Santo dos Santos (onde havia intimidade e presença). Essa ordem não é aleatória, é pedagógica: não se entra na intimidade sem passar pelo sacrifício e pela purificação.
No Pátio Exterior estava o Altar de Holocausto. Ali o pecado era tratado, mas à custa de sangue. O pecador via no animal morto a sentença que ele mesmo merecia. O altar era lugar de juízo, mas também de perdão. Hoje, esse altar nos remete à cruz de Cristo. Não há como se aproximar de Deus sem antes passar pelo sangue derramado do Cordeiro. Muitos querem pular o altar, mas sem cruz não há remissão, sem sangue não há perdão (Hebreus 9:22).
Ainda no pátio havia o Lavatório de Bronze. Mesmo depois do sacrifício, os sacerdotes precisavam lavar as mãos e os pés. Isso nos ensina que não basta o perdão inicial; é necessária pureza contínua. O lavatório aponta para a santificação, para a limpeza diária que a Palavra e o Espírito Santo produzem em nós (Efésios 5:26). Deus não aceita serviço de mãos sujas. Não adianta ter experiência no altar se não há disciplina de pureza na caminhada.
O pátio tinha apenas uma porta, voltada para o oriente. Não havia vários acessos. Isso já pregava: só há um caminho para Deus, e esse caminho é Cristo (João 10:9). Muitos tentam criar atalhos, mas todo atalho espiritual leva à morte. O acesso é único, e tem nome: Jesus.
Entrando no Lugar Santo, vemos o Candelabro de Ouro. Sem ele, o ambiente era escuridão total. Isso aponta para Cristo, a Luz do mundo (João 8:12), e para o Espírito Santo, que nos guia com Sua sabedoria e conselho (Isaías 11:2). Sem luz, não há serviço aceitável; sem revelação, não há ministério eficaz.
Ali também estava a Mesa dos Pães da Proposição, era uma mesa de madeira com cobertura de ouro onde eram colocados doze pães, representando as doze tribos de Israel, lembrando ao povo que Deus é o provedor constante. Cada pão falava de sustento, e cada semana esse pão era renovado. Cristo é o Pão da Vida (João 6:35). Isso significa que só Ele sacia a alma; sem Ele, ficamos vazios, famintos de sentido.
O Altar de Incenso ficava diante do véu, e sua fumaça subia continuamente. Esse altar representava as orações dos santos, e Cristo como nosso intercessor (Hebreus 7:25). Isso significa que o serviço no Lugar Santo não pode ser mecânico: ele precisa ser acompanhado de oração viva, que sobe como aroma agradável a Deus.
Finalmente, o Santo dos Santos, onde estava a Arca da Aliança, representava o ápice da comunhão. Ali estava a presença manifesta de Deus. Dentro da Arca, a Lei, o Maná e a Vara de Arão – símbolos de direção, provisão e autoridade divina. Sobre a Arca, o Propiciatório, onde o sangue era aspergido, apontava para Cristo como nosso substituto (Romanos 3:25). Mas ninguém podia entrar ali, a não ser o Sumo Sacerdote, uma vez por ano. Isso nos mostra a seriedade da santidade de Deus.
Contudo, quando Jesus morreu, o véu se rasgou de alto a baixo (Mateus 27:51). Agora não existe mais barreira. Cristo é nosso Sumo Sacerdote eterno (Hebreus 4:14-16), e por Ele temos acesso direto ao Santo dos Santos. Isso não é apenas uma informação teológica; é um chamado para a vida. O véu foi rasgado, mas muitos continuam parados no pátio, satisfeitos apenas com o perdão inicial, sem avançar para a intimidade.
O Tabernáculo nos confronta: onde estamos? No pátio, apenas buscando perdão? No Lugar Santo, servindo, mas ainda sem atravessar o véu? Ou no Santo dos Santos, desfrutando da presença? O propósito final de Deus nunca foi nos manter no altar do sacrifício, mas nos conduzir ao trono da Sua glória. O Tabernáculo aponta para Cristo, mas também denuncia a nossa posição espiritual. Não basta conhecer sua estrutura; é preciso atravessá-la.
Deus não chamou você para viver apenas do lado de fora. O convite é para entrar. O sangue já foi derramado, o véu já foi rasgado, e a presença já está disponível.
A pergunta é: até onde você quer ir?
Pr. Rodrigo Deiró



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