Por que Jesus lavou os pés dos discípulos?
Naquela noite da Última Ceia, poucas horas antes da crucificação, Jesus nos deu uma das lições mais profundas e confrontadoras de toda a Escritura. As ruas eram poeirentas, os pés ficavam imundos, e a tarefa de lavá-los cabia sempre ao servo de mais baixo nível, aquele sem honra, sem voz, sem status. Era o trabalho que ninguém queria fazer.
Mas em João 13 vemos o inesperado: o Mestre se levanta, tira o manto, pega a toalha e a bacia, e começa a lavar os pés dos discípulos. Nenhum deles se levantou para servir. Pelo contrário, estavam ocupados discutindo quem seria o maior no Reino (Lucas 22:24). Enquanto eles brigavam por status, Jesus estava pronto para Se ajoelhar.
Ele sabia de tudo: Pedro, que em poucas horas iria negá-Lo, e Judas, que já O havia traído em seu coração. Ainda assim, Jesus lavou também os pés deles. Isso é mais do que humildade; é amor que não escolhe, é graça que se derrama até sobre quem nos fere.
O Rei dos Reis, o Senhor da Glória, ajoelhou-Se para realizar o serviço do menor dos escravos. Esse gesto quebrou nossa lógica humana. No Reino de Deus, grandeza não é medida por quem está no trono, mas por quem pega a toalha. Não é quem exige honra, mas quem serve em silêncio.
Quando Pedro resistiu, Jesus foi firme: “Se eu não te lavar, não tens parte comigo”. O lava-pés não era só um ato simbólico de humildade, era uma revelação espiritual: só Jesus pode nos purificar. Quem é lavado pela salvação precisa ainda da limpeza diária, porque no caminho da vida nossos pés se sujam. Precisamos constantemente da graça que perdoa, purifica e restaura.
Essa cena nos deixa sem desculpas. Jesus disse: “Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” (João 13:15). Ele não apenas nos deu uma lição de moral, Ele nos deixou um padrão de vida.
O lava-pés nos ensina que amor é prática, não discurso. Que liderança é serviço, não palco. Que comunhão com Cristo depende de constante purificação. Que o Evangelho não é sobre buscar posições, mas sobre se colocar de joelhos para servir até quem não merece.
E aqui está o confronto: você está disposto a pegar a toalha e a bacia? Está pronto para servir sem reconhecimento, amar sem retorno, perdoar sem aplauso? A cena do lava-pés é o espelho do coração de Deus e, ao mesmo tempo, um chamado para que o nosso coração seja transformado.
O Deus que Se ajoelhou diante dos discípulos é o mesmo que hoje Se inclina para lavar a sujeira da sua alma. E Ele pergunta: você deixará que Eu lave os seus pés? E, depois de receber essa graça, você terá coragem de fazer o mesmo pelo outro?
Pr. Rodrigo Deiró



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