"Sejam como a erva dos telhados, que seca antes que a arranquem” (Salmo 129:6)

Na antiga Israel, os telhados eram feitos de barro. Essa terra usada vinha do chão. Muitas vezes, junto com ela, vinham sementes misturadas. Ao serem colocadas sobre a casa, essas sementes germinavam. Um pequeno verde brotava no alto. Uma vida nascendo acima da altura dos olhos. Mas havia um problema. Não havia profundidade de solo. Não havia onde as raízes se firmarem. A beleza inicial rapidamente se transformava em desolação. O sol queimava. A planta secava. Sua história acabava.

Essa é a metáfora que o salmista escolhe para descrever o ímpio. Gente que aparenta estar no topo, mas que não tem estrutura para permanecer. Pessoas que sobem, mas não sustentam. Que ganham visibilidade, mas não resistem ao tempo. A altura não garante permanência. O brilho não garante raiz.

Vivemos dias onde muitos são como essas ervas de telhado. Estão na vitrine, mas não têm fundamento. São conhecidos, mas não são profundos. Crescem rápido, mas não suportam a pressão. E quando o calor das provas chega, murcham diante dos olhos que antes os admiravam.

O problema não é estar em cima. O problema é subir sem estar firmado. Porque o topo sem raiz é apenas uma estação de passagem para a queda.

Prefira ser uma palmeira, plantada junto a ribeiros. Prefira ser um cedro, crescendo devagar, mas inabalável. Prefiro ser uma oliveira, que resiste aos séculos. Prefira ter raízes no lugar certo do que visibilidade no lugar errado.

A pergunta é: onde estão suas raízes? Na terra firme da Palavra ou no barro frágil das aparências? O tempo não perdoa o raso.

Quem você quer ser? A palmeira que resiste ou a erva que seca?


Pr. Rodrigo Deiró

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