Diante da violência no Rio de Janeiro: Como deve reagir um verdadeiro cristão?


"Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a beneficência, e andes humildemente com o teu Deus?"

(Miquéias 6:8)


O cenário de violência que assola o nosso estado não é apenas uma questão política ou social - é uma batalha espiritual. O tráfico, a criminalidade e a corrupção não são meros “problemas sociais”, mas expressões do pecado que escraviza, destrói e mata. Há uma guerra invisível sendo travada por corações, famílias e gerações inteiras. Diante disso, o cristão não pode reagir com indiferença, medo ou revolta carnal. Ele deve responder com o caráter de Cristo, que é justiça, misericórdia e esperança.

A justiça cristã não é vingança, é obediência. É reconhecer que Deus estabeleceu autoridades legítimas para conter o avanço da maldade e preservar a vida. Apoiar a ordem não é idolatrar o poder humano, mas entender que a polícia e as forças de segurança são instrumentos divinos quando agem com retidão e sabedoria. Por isso, o cristão ora por elas, para que sejam guardadas, não se corrompam e ajam sempre sob o temor do Senhor. O cristão maduro não relativiza o pecado. Ele chama o mal de mal e o pecado de pecado. Não há espaço para romantizar o crime ou justificar o erro. A luz não faz aliança com as trevas.

Mas se a justiça aponta para o ato, a misericórdia olha para o coração. O cristão não ignora as causas profundas da dor humana. Ele entende que há inocentes feridos e famílias destruídas por um sistema injusto, por governos omissos e por desigualdades que se perpetuam. Miqueias 6:8 continua ecoando: “O Senhor te mostrou o que é bom: praticar a justiça, amar a misericórdia e andar humildemente com teu Deus.” A Igreja de Cristo não pode fechar os olhos para a realidade das comunidades esquecidas. Ela é chamada a agir, não apenas a orar. Onde o Estado falha, o Corpo de Cristo precisa ser resposta. Devemos apoiar e fortalecer projetos sociais, igrejas locais e iniciativas que oferecem alimento, dignidade e educação. O cristão de verdade não vive de discursos; ele serve, doa e se envolve.

E ainda assim, o servo de Deus chora. Ele lamenta o sangue inocente derramado, a dor das famílias que perdem seus filhos e a tragédia de almas que morrem sem arrependimento. A apatia não é uma opção para quem carrega o Espírito de Cristo. A vida, para nós, é sagrada porque todo ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus - Imago Dei. Por isso, não celebramos a morte de ninguém. Nem do policial, nem do bandido. Sentimos alívio quando o mal é contido, mas nunca alegria pela morte de um ser humano. O próprio Deus declara em Ezequiel 33:11: “Não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que ele se converta e viva”. O cristão lamenta o juízo, mas ora pela salvação.

No entanto, mesmo diante da violência e do caos, o cristão não se desespera. A nossa esperança não está nas instituições humanas, mas na redenção final de Cristo. É Ele quem um dia enxugará dos olhos toda lágrima e estabelecerá Sua justiça perfeita sobre a Terra. Até lá, somos chamados a ser luz no meio das trevas, sal no meio da corrupção, e testemunhas de que o Reino de Deus ainda está em movimento, mesmo nas vielas e becos do Rio.

Ser cristão nesse contexto não é escolher um lado político ou ideológico. É abraçar a complexidade da fé. É lutar pela justiça sem perder a misericórdia; é denunciar o pecado sem perder o amor; é clamar por ordem sem se esquecer da compaixão. É chorar por cada vida perdida, inclusive pelas que se foram sem conhecer o Salvador. É entender que justiça sem misericórdia é crueldade, mas misericórdia sem justiça é conivência. O cristão não se omite, não se corrompe, não se desespera - ele ora, age, serve e permanece firme, crendo que, ainda que o mal pareça prevalecer, Cristo continua sendo a esperança do Rio, do Brasil e do mundo.


“Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.” (Mateus 5:9)

 Pr. Rodrigo Deiró

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