Luz no mundo ou estrela na igreja?
Com sua vida, Jesus nos ensinou que o verdadeiro chamado não é para o palco, é para a cruz. Ele não nos convocou para sermos admirados, mas para sermos sacrificados; não para sermos exaltados, mas para sermos moldados. O discipulado genuíno não é um convite à fama, mas à renúncia. Nós não fomos chamados para ter holofotes sobre nós, mas para sermos holofotes que iluminam Ele, o único digno de ser visto.
Como declara Mateus 5:16:
“Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus”.
A luz que o cristão emite não é autopromoção, é reflexo. Ela não existe para exaltar o vaso, mas para revelar o Deus que habita nele. A crescente “idolatria evangélica” dos nossos dias é o retrato da superficialidade espiritual de uma geração que esqueceu o centro da fé. É Cristo em nós, e não Cristo neles. O Evangelho não gira em torno de personalidades, mas da presença de Cristo. Só idolatra as “estrelas” quem ainda não compreendeu que o Sol da Justiça (Malaquias 4:2) é suficiente para iluminar toda a Terra.
Eliseu entendeu isso. Quando Elias foi levado ao céu, ele não ficou preso à ausência do homem, mas à presença de Deus. Ao pegar a capa do profeta, ele não perguntou: “Onde está o Elias de Deus?”, mas clamou: “Onde está o Deus de Elias?” (2 Reis 2:14). Eliseu sabia: nunca foi sobre o Elias de Deus, mas sobre o Deus de Elias.
É sobre Ele! Sempre foi e sempre será sobre Ele. Ele é o manancial, a fonte inesgotável. Por isso, Deus advertiu o povo em Jeremias 2:13:
“Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas rotas, que não retêm águas.”
Os ídolos, antigos ou modernos, são como cisternas rachadas: prometem saciar, mas vazam; prometem vida, mas secam. Eles não matam a sede da alma.
Cristo é a única fonte. Em Cristo está a plenitude, o sentido e o sustento da nossa caminhada. Podemos sim nos inspirar em homens e mulheres de Deus, mas jamais colocá-los no trono do coração. A inspiração edifica; a idolatria corrompe.
Fomos chamados por Jesus para sermos luz no mundo, não estrelas da igreja. A luz serve, a estrela busca ser servida. A luz ilumina o caminho de outros; a estrela busca apenas brilhar para si. O chamado do Reino é servir, não aparecer; é obedecer, não se promover.
Por isso, toda glória, honra e reconhecimento pertencem somente a Ele. Que nunca sejamos tentados a roubar o que é de Deus.
“Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua benignidade e da tua verdade.”
(Salmos 115:1)
O palco passa. O brilho apaga. Mas a cruz permanece... e nela está a verdadeira glória.
Pr. Rodrigo Deiró



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