Construindo a Arca da Família


 

Assim como Noé, iremos ouvir a Deus, construir um ambiente e colocar a nossa família dentro dele.

Assim como Noé, somos chamados a ouvir a voz de Deus – mesmo quando tudo ao nosso redor parecer contrário, mesmo quando a mensagem d’Ele desafia a lógica ou o consenso da geração em que vivemos. Esta é uma decisão que não nasce do comodismo, mas da obediência radical. Noé foi considerado justo num tempo marcado pela corrupção e violência sobre a terra, e Deus o separou não apenas individualmente, mas enquanto família, instruindo-o: “Entra tu e toda a tua casa na arca, porque te hei visto justo diante de mim nesta geração” (Gênesis 7:1). A decisão de Noé não foi apenas de proteção própria, mas de fé ativa que edifica um ambiente de salvação para seu lar.

“Assim fez Noé; conforme tudo o que Deus lhe mandou, assim o fez” (Gênesis 6:22). Noé não discutiu, não negociou, não procrastinou. Ele não esperou que o mundo melhorasse, não buscou aprovação das multidões, nem tentou encaixar-se na cultura decadente que o cercava. Ele apenas ouviu, creu e obedeceu. E por causa disso, sua casa foi preservada enquanto toda uma geração perdida sucumbia ao juízo.

Hoje, o Senhor chama pais, mães e líderes espirituais a assumirem a mesma postura. Vivemos dias em que muitos querem construir conforto, mas não querem construir obediência; querem levantar paredes de sucesso, mas não erguer fundamentos de santidade; querem proteger suas famílias com recursos humanos, mas negligenciam a proteção espiritual, que nasce da submissão total à voz de Deus. A arca não foi um capricho religioso; foi um ambiente de salvação construído antes da chuva chegar. E assim deve ser conosco: edificamos em fé, mesmo quando nada ao redor parece justificar nosso esforço. Não basta reclamar do mundo, nem esperar que outros façam por nós aquilo que Deus depositou em nossas mãos como missão sagrada. A obediência de Noé exigiu coragem. Construir um ambiente espiritual exige renúncia, perseverança, disciplina e posicionamento firme. Ele, então, construiu uma arca, preparou um ambiente específico, uma estrutura de proteção e obediência, visível a todos, mas reservada àqueles que, como ele, ouviram a ordem divina. Colocar nossa família dentro dele exige liderança, amor sacrificial e a disposição de ser impopular quando necessário. Noé não colocou sua família na arca à força, mas porque ele mesmo se tornou um testemunho vivo de temor a Deus, e sua casa seguiu o exemplo. Antes de salvar sua família, Noé se deixou moldar pelo Senhor.

Nossa responsabilidade vai além do discurso; exige empenho prático para estabelecer, pelo testemunho e ação, um ambiente marcado pela presença de Deus. É tempo de levantarmos ambientes de aliança, de oração, de pureza, de verdade, de quebrantamento. Ambientes onde a Palavra tem autoridade, onde o pecado não é tolerado, onde a presença de Deus é prioridade e onde cada membro da casa entende que servir ao Senhor não é uma opção, mas um chamado irrevogável. Quem não constrói ambiente, expõe a família ao dilúvio espiritual deste mundo. Quem não se posiciona, será arrastado pela cultura. Quem não ouve a Deus, acabará ouvindo o clamor da destruição.

Como Noé, ergamos nossa arca hoje. Não amanhã; não quando tudo parecer favorável; não quando a chuva já estiver caindo. Decidamos ouvir o Senhor enquanto muitos ainda zombam; decidamos construir enquanto muitos ainda dormem; decidamos colocar nossa família dentro do ambiente da fé antes que a tempestade chegue. Que o testemunho da nossa obediência seja tão forte que, assim como aconteceu com Noé, nossa casa veja em nós não apenas palavras, mas direção.

 E que, ao final, possamos declarar com convicção: “Eu e minha casa serviremos ao Senhor”, não como frase decorada, mas como estilo de vida firmado sobre a rocha. Porque aqueles que, como Noé, ouvem, obedecem e edificam, verão a fidelidade de Deus guardando sua família em meio a qualquer tempestade.

Pr. Rodrigo Deiró

 


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