Deus se revela na simplicidade!


 

Há momentos em que Deus precisa quebrar o vaso para refazer. E foi isso que Ele mostrou a Jeremias: um oleiro moldando o barro conforme o seu querer. E, no meio daquela oficina, o profeta entendeu que aquilo não era apenas uma cena cotidiana; era uma revelação divina. Deus estava falando através da simplicidade, demonstrando que o Seu agir não está confinado ao extraordinário, mas se manifesta no ordinário. Enquanto corremos atrás de resultados, Ele continua agindo nas entrelinhas da rotina, mostrando que Seus maiores milagres não acontecem nos palcos, mas nas mãos que se rendem à Sua vontade. Quantas vezes perdemos o mover de Deus porque esperamos o trovão, quando Ele fala no sussurro? Quantas vezes deixamos de contemplar a glória do Criador porque estamos ocupados demais, perseguindo resultados, visibilidade e reconhecimento?

Jesus também escolheu a simplicidade como linguagem do Reino. Um grão de mostarda, um campo, um pescador, um pai de família. Ele não falou a partir de tronos, mas de vales. Ele não esperou multidões nos templos; caminhou entre os pobres e cansados, revelando que o poder do Reino não está na aparência, mas na essência. O Reino não é espetáculo de luzes nem vitrine de obras humanas. O Reino é o governo de Deus sobre corações quebrantados, que se submetem à Sua vontade sem precisar de holofotes. Talvez estejamos esquecendo disso. Estamos tão ocupados tentando provar valor, conquistar espaço, produzir, crescer, ser vistos, que esquecemos do que realmente importa. O Evangelho nunca pediu visibilidade, mas santidade. Nunca pediu performance, mas obediência.

Vivemos dias em que todos buscam a performance perfeita, a imagem que impressiona, o resultado que gera aplauso. Mas, enquanto o mundo corre para o pódio, Jesus se ajoelha para lavar os pés. Enquanto muita gente quer o reconhecimento dos homens, o Mestre se alegrava em servir em silêncio. O Reino contrariou as medidas do mundo. Ele exalta os humildes, mas abate os soberbos. Ele faz do anonimato um altar, e do serviço simples, um sacrifício agradável. O Evangelho que transforma não é o que mais brilha, mas o que mais se entrega. E talvez o Senhor esteja hoje te chamando de volta a esse lugar — o lugar simples, o altar da entrega, o silêncio onde a voz de Deus se faz ouvir entre um café da manhã e o canto de um pássaro. Na terra que germina, Ele ainda mostra que a paciência e a perseverança fazem florescer milagres invisíveis aos apressados.

Não é sobre fazer grandes feitos; é sobre ter um coração quebrantado diante de Deus. Não é sobre projetar-se; é sobre obedecer. O Senhor não está exigindo mais das tuas mãos do que pode entregar, Ele está pedindo mais do teu coração do que estás disposto a render. A simplicidade de Cristo não é ausência de poder; é manifestação dele em forma de humildade. É no lavar dos pés que Ele demonstra Sua grandeza. É na cruz, e não no trono humano, que Ele revela o verdadeiro triunfo. Jesus se revela quando o coração aquieta, quando o barulho dá lugar à devoção, quando deixamos de querer provar e passamos a apenas pertencer. Não é sobre impressionar, é sobre permanecer. Não é sobre fazer muito, é sobre fazer com fé. O céu não mede grandeza pelo quanto fazemos, mas pelo quanto nos rendemos.

Buscamos muitas vezes as grandezas desse mundo e perdemos de vista o essencial. Corremos tanto que esquecemos de olhar para o céu. Produzimos tanto que esquecemos de ouvir. Falamos muito, mas oramos pouco. É tempo de parar e contemplar. É tempo de redescobrir a presença de Deus nas coisas pequenas. O verdadeiro Evangelho é puro e simples. Não precisa de adornos, não precisa de plataformas; basta fé e obediência.

O Oleiro ainda está com as mãos no barro. Ele ainda molda, ainda refina, ainda transforma corações endurecidos em vasos de honra. Mas para isso, é preciso deixar-se tocar, deixar-se quebrar, deixar-se refazer. O mesmo toque que pressiona também cura. O mesmo fogo que queima também purifica. A simplicidade do Reino não é descuido, é profundidade. É o mistério de um Deus infinito que escolhe habitar o coração simples e obediente.

Que o nosso coração volte a encontrar a beleza da comunhão simples com Deus. Que aprendamos a enxergar Sua mão operando no invisível e a ouvir Sua voz nas entrelinhas da rotina. Que o nosso cristianismo não seja uma vitrine de feitos, mas um altar de entrega. Que o barro não reclame do toque do Oleiro, mas se renda, porque o toque que pressiona é o mesmo que molda. O Reino não se revela no aplauso, mas na devoção silenciosa. E quando o mundo não entender, lembre-se: o Rei ainda trabalha no barro, e o céu ainda se manifesta nas coisas simples.


Pr. Rodrigo Deiró

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