Família é o jeito que Deus escolheu para edificar o Seu propósito
Mas nós vivemos dias em
que a família, embora permaneça como o projeto original, tem sido tratada com
descaso, superficialidade e conveniência. Muitos crentes repetem que Deus tem
um propósito para suas vidas, mas esquecem que esse propósito passa, necessariamente,
pela vida familiar. Não há como viver uma fé robusta enquanto ignoramos a
ordenança primária do Senhor. O lar é o primeiro altar, é o primeiro campo
missionário, é o primeiro discipulado. Paulo instrui: “Mas, se alguém não
tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior
do que o infiel” (1 Timóteo 5:8). No lar, Deus planta as sementes da fé, do
temor e da obediência. É dentro de casa que se aprende a amar, a perdoar e a
servir. Quando o Senhor ordena: “Honra a teu pai e a tua mãe, para que se
prolonguem os teus dias na terra” (Êxodo 20:12), Ele vincula a bênção de
longevidade à estrutura familiar. A obediência nesse mandamento não é apenas um
ato de respeito, mas uma confissão de fé: reconhecer a autoridade dos pais é
reconhecer a ordem que Deus estabeleceu. É dentro do convívio familiar que se
forjam os princípios que sustentam uma nação e distinguem o povo de Deus. Onde
a família se corrompe, a sociedade desaba; onde o lar é restaurado, o Reino de
Deus floresce. A Palavra não suaviza. Não é opcional, não é secundário: cuidar
da família é expressão de fé. Negligenciar é negar.
Entretanto, vivemos uma
era em que o inimigo tem declarado guerra contra a família. Ele não precisa
destruir igrejas se conseguir desestruturar lares. Um lar dividido enfraquece a
igreja e desfigura o testemunho de Cristo. Foi por isso que Jesus disse: “Toda
a casa dividida contra si mesma não subsistirá” (Mateus 12:25). O inimigo
seduz com individualismo, egoísmo e desobediência, fazendo com que pais
desistam de investir espiritualmente em seus filhos e filhos desprezem a
autoridade dos pais. Em muitos lares, o que deveria ser sacrário, tornou-se
campo de batalha, onde o orgulho governa e o amor esfria. Palavras duras
substituíram a mansidão; silêncios frios tomaram o lugar da escuta humilde;
cada um olha para o próprio interesse. Mas o apóstolo nos lembra: “Nada
façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os
outros superiores a si mesmo” (Filipenses 2:3). Essa exortação não foi
escrita apenas para irmãos na igreja; ela começa entre marido e mulher, entre
pais e filhos, entre aqueles que convivem diariamente. Se não praticamos o
evangelho na mesa do jantar, não o praticamos em lugar algum. Mas a Palavra
chama o povo de Deus a se levantar, a restaurar o altar dentro de casa e a
colocar novamente Cristo como a Rocha sobre a qual tudo se edifica.
A família, quando rendida
a Deus, se torna uma vitrine do Reino. E isso não significa perfeição, mas
submissão. É quando cada coração decide dizer: “Senhor, molda-me. Quebra o que
precisa ser quebrado. Alinha o que está torto. Cura o que escondi por tanto
tempo.” Assim como o barro nas mãos do oleiro, o lar só encontra forma
verdadeira quando se rende.
Os ataques à família não
são meramente sociais ou culturais; são espirituais. O inimigo sabe que se
destruir as casas, destrói gerações. Se enfraquecer o pai, fere o filho. Se
dividir o casal, fere o testemunho. Por isso Pedro alerta: “Sede sóbrios;
vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão,
buscando a quem possa tragar” (1 Pedro 5:8). Vigilância não é estado
emocional; é disciplina espiritual. É quando um marido decide orar pela esposa
antes de discutir. É quando uma esposa decide abençoar o marido antes de
cobrar. É quando pais decidem instruir os filhos não apenas com regras, mas com
exemplo e amor. É quando a Palavra deixa de ser ideia e se torna prática.
Porém, não podemos
ignorar que muitos lares estão feridos porque alguém desistiu antes da hora.
Alguém parou de lutar, parou de cultivar, parou de buscar, parou de insistir na
restauração. E ainda assim Deus continua chamando: “Volta. Reconstrói. Pede perdão.
Começa de novo.” O Salmo afirma: “Se o SENHOR não edificar a casa, em vão
trabalham os que a edificam” (Salmos 127:1). Não é que o homem não
trabalhe; é que seu trabalho precisa estar submetido à direção do Senhor.
Sozinhos, acumulamos cansaço. Com Ele, acumulamos graça.
A família é o lugar onde
aprendemos a amar de maneira sacrificial, a perdoar repetidamente, a renunciar
ao ego, a celebrar pequenas vitórias, a caminhar com falhas expostas e, ainda
assim, permanecer. Deus usa a família para nos moldar porque Ele sabe que é ali
que nossa humanidade aparece sem maquiagem. Ali não escondemos postura, não
vestimos máscaras, não recitamos versos decorados. Ali somos vistos como somos,
e é justamente esse ambiente que Ele escolheu para ensinar o que significa
amadurecer no Reino.
Não espere que Deus
transforme seu ministério se você se recusa a deixar que Ele transforme seu
lar. Não espere que Ele faça fluir em público aquilo que você bloqueia em
secreto. A vida familiar não é um apêndice espiritual; é um campo sagrado. Não
é um detalhe; é fundamento. Não é peso; é propósito.
Assim, que cada coração ao
ter estas linhas, permita que o Espírito Santo ilumine as áreas escondidas,
reavive o amor adormecido, quebre o orgulho acumulado e restaure o altar
familiar. Que maridos voltem a amar suas esposas como Cristo amou a Igreja,
como ordena Efésios 5. Que esposas honrem, apoiem e caminhem com seus maridos
com sabedoria e brandura. Que pais instruam os filhos com firmeza e com
mansidão, lembrando que autoridade não é opressão, é responsabilidade diante de
Deus. Que os filhos honrem os pais não apenas com palavras, mas com postura,
lembrando que o mandamento com promessa não mudou.



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