Família é o jeito que Deus escolheu para edificar o Seu propósito


A família não nasceu do coração humano, mas do coração de Deus. Antes que houvesse sociedades, cidades, reinos ou governos, havia uma família no Éden. E quando o Senhor formou aquele primeiro lar, não foi apenas para companhia ou afeto; foi para um propósito. O próprio Deus declarou: “Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma adjutora que esteja como diante dele” (Gênesis 2:18). Com essa declaração, não apenas instituiu o casamento, mas estabeleceu o alicerce da família, célula central de Sua vontade e via pela qual Seu propósito se manifesta e se perpetua entre os homens. A família não é invenção cultural, nem fruto de conveniência humana; é plano e projeto divino. Ela nasce no coração de Deus e serve de ambiente para formar corações, moldar caráteres e revelar o amor redentor do Pai. Família é obra d’Ele, e obra d’Ele exige rendição.

Mas nós vivemos dias em que a família, embora permaneça como o projeto original, tem sido tratada com descaso, superficialidade e conveniência. Muitos crentes repetem que Deus tem um propósito para suas vidas, mas esquecem que esse propósito passa, necessariamente, pela vida familiar. Não há como viver uma fé robusta enquanto ignoramos a ordenança primária do Senhor. O lar é o primeiro altar, é o primeiro campo missionário, é o primeiro discipulado. Paulo instrui: “Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel” (1 Timóteo 5:8). No lar, Deus planta as sementes da fé, do temor e da obediência. É dentro de casa que se aprende a amar, a perdoar e a servir. Quando o Senhor ordena: “Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra” (Êxodo 20:12), Ele vincula a bênção de longevidade à estrutura familiar. A obediência nesse mandamento não é apenas um ato de respeito, mas uma confissão de fé: reconhecer a autoridade dos pais é reconhecer a ordem que Deus estabeleceu. É dentro do convívio familiar que se forjam os princípios que sustentam uma nação e distinguem o povo de Deus. Onde a família se corrompe, a sociedade desaba; onde o lar é restaurado, o Reino de Deus floresce. A Palavra não suaviza. Não é opcional, não é secundário: cuidar da família é expressão de fé. Negligenciar é negar.

Entretanto, vivemos uma era em que o inimigo tem declarado guerra contra a família. Ele não precisa destruir igrejas se conseguir desestruturar lares. Um lar dividido enfraquece a igreja e desfigura o testemunho de Cristo. Foi por isso que Jesus disse: “Toda a casa dividida contra si mesma não subsistirá” (Mateus 12:25). O inimigo seduz com individualismo, egoísmo e desobediência, fazendo com que pais desistam de investir espiritualmente em seus filhos e filhos desprezem a autoridade dos pais. Em muitos lares, o que deveria ser sacrário, tornou-se campo de batalha, onde o orgulho governa e o amor esfria. Palavras duras substituíram a mansidão; silêncios frios tomaram o lugar da escuta humilde; cada um olha para o próprio interesse. Mas o apóstolo nos lembra: Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo” (Filipenses 2:3). Essa exortação não foi escrita apenas para irmãos na igreja; ela começa entre marido e mulher, entre pais e filhos, entre aqueles que convivem diariamente. Se não praticamos o evangelho na mesa do jantar, não o praticamos em lugar algum. Mas a Palavra chama o povo de Deus a se levantar, a restaurar o altar dentro de casa e a colocar novamente Cristo como a Rocha sobre a qual tudo se edifica.

A família, quando rendida a Deus, se torna uma vitrine do Reino. E isso não significa perfeição, mas submissão. É quando cada coração decide dizer: “Senhor, molda-me. Quebra o que precisa ser quebrado. Alinha o que está torto. Cura o que escondi por tanto tempo.” Assim como o barro nas mãos do oleiro, o lar só encontra forma verdadeira quando se rende.

Os ataques à família não são meramente sociais ou culturais; são espirituais. O inimigo sabe que se destruir as casas, destrói gerações. Se enfraquecer o pai, fere o filho. Se dividir o casal, fere o testemunho. Por isso Pedro alerta: “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1 Pedro 5:8). Vigilância não é estado emocional; é disciplina espiritual. É quando um marido decide orar pela esposa antes de discutir. É quando uma esposa decide abençoar o marido antes de cobrar. É quando pais decidem instruir os filhos não apenas com regras, mas com exemplo e amor. É quando a Palavra deixa de ser ideia e se torna prática.

Porém, não podemos ignorar que muitos lares estão feridos porque alguém desistiu antes da hora. Alguém parou de lutar, parou de cultivar, parou de buscar, parou de insistir na restauração. E ainda assim Deus continua chamando: “Volta. Reconstrói. Pede perdão. Começa de novo.” O Salmo afirma: “Se o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam” (Salmos 127:1). Não é que o homem não trabalhe; é que seu trabalho precisa estar submetido à direção do Senhor. Sozinhos, acumulamos cansaço. Com Ele, acumulamos graça.

A família é o lugar onde aprendemos a amar de maneira sacrificial, a perdoar repetidamente, a renunciar ao ego, a celebrar pequenas vitórias, a caminhar com falhas expostas e, ainda assim, permanecer. Deus usa a família para nos moldar porque Ele sabe que é ali que nossa humanidade aparece sem maquiagem. Ali não escondemos postura, não vestimos máscaras, não recitamos versos decorados. Ali somos vistos como somos, e é justamente esse ambiente que Ele escolheu para ensinar o que significa amadurecer no Reino.

Não espere que Deus transforme seu ministério se você se recusa a deixar que Ele transforme seu lar. Não espere que Ele faça fluir em público aquilo que você bloqueia em secreto. A vida familiar não é um apêndice espiritual; é um campo sagrado. Não é um detalhe; é fundamento. Não é peso; é propósito.

Assim, que cada coração ao ter estas linhas, permita que o Espírito Santo ilumine as áreas escondidas, reavive o amor adormecido, quebre o orgulho acumulado e restaure o altar familiar. Que maridos voltem a amar suas esposas como Cristo amou a Igreja, como ordena Efésios 5. Que esposas honrem, apoiem e caminhem com seus maridos com sabedoria e brandura. Que pais instruam os filhos com firmeza e com mansidão, lembrando que autoridade não é opressão, é responsabilidade diante de Deus. Que os filhos honrem os pais não apenas com palavras, mas com postura, lembrando que o mandamento com promessa não mudou.

Família é o jeito que Deus escolheu para edificar o Seu propósito. E se Deus escolheu esse caminho, quem somos nós para tratá-lo com menos zelo do que Ele? Renda seu lar ao Senhor. Permita que Ele seja o centro, o guia, o sustento. E então você verá que, quando Ele edifica, nada destrói; quando Ele planta, nada arranca; quando Ele cura, nada fere de novo; quando Ele restaura, nada volta a ser como antes. Porque onde Deus habita, a vida floresce. E onde a família se rende, o propósito se cumpre.


Pr. Rodrigo Deiró

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