O caminho inevitável de quem quer seguir a Cristo


 

Abraão ouviu a voz de Deus e deixou a sua terra; Adão recebeu a ordem clara do Senhor e foi advertido quanto à árvore do conhecimento; Jeremias foi enviado à casa do oleiro para aprender que Deus molda, quebra e refaz conforme o Seu propósito. Em cada ordem, Deus está chamando alguém a romper com a segurança, com o desejo próprio, com a vontade teimosa do coração, para viver debaixo de um senhorio absoluto. O mesmo Deus que falou com eles, hoje olha para ti e diz: “Chega de viver do teu jeito, chega de negociar com o pecado, chega de manter aquilo que Eu já mandei largar”. Em cada uma dessas histórias, há um chamado que atravessa o tempo e nos alcança hoje: o chamado à renúncia. Não é apenas um conselho espiritual, mas uma marca incontornável na vida de quem deseja seguir verdadeiramente a Jesus. A renúncia não é opcional na vida de quem quer seguir a Jesus; é marca, é evidência, é fruto de um coração que foi alcançado pela graça. Quem quer caminhar com Cristo não pode continuar abraçado às antigas mesas, aos velhos padrões, aos hábitos que desonram o Evangelho. Há amizades que precisarão ser deixadas, ambientes em que não caberá mais o teu nome, conversas das quais terás que te levantar e sair, porque agora o teu lugar é onde Cristo é honrado.

Quando Jesus diz “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Marcos 8:34), Ele está dizendo com clareza: ou tu ficas com o teu eu, ou tu ficas com Ele, não dá para ficar com os dois. Cruz não é acessório, é sentença de morte do velho homem. “Quem achar a sua vida perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim achá-la-á” (Mateus 10:39). Perder para encontrar, esvaziar para ser cheio, morrer para viver: este é o caminho do discipulado verdadeiro.

Por amor a Cristo, haverá mesas das quais precisarás levantar e nunca mais voltar; padrões na tua casa, no teu caráter e na tua rotina que terão de ser quebrados; práticas secretas, hábitos ocultos e prazeres disfarçados que não cabem mais em alguém que diz “Jesus é meu Senhor”. Talvez a mudança que o seu coração tanto clama esteja exatamente na renúncia que você sempre evitou plantar. Porque o fruto da transformação nasce da semente da obediência. Algumas renúncias não faremos para receber algo em troca, mas simplesmente porque amamos a Cristo e desejamos agradá-Lo. Esse é o verdadeiro ato de fé: abrir mão do que pesa, do que prende, do que contamina, para viver aquilo que Deus preparou.

Renunciar por amor a Cristo é atitude de quem compreendeu que Ele é suficiente. É declarar, com a vida e não apenas com os lábios, que Jesus vale mais do que qualquer prazer passageiro, qualquer segurança terrena ou qualquer vontade própria. É escolher o caminho estreito, confiando que Ele é fiel para conduzir, sustentar e recompensar aqueles que O seguem de todo o coração.

Pr. Rodrigo Deiró

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