O valor do conteúdo sobre o Contingente: Fidelidade, a verdade que transforma

 


O contingente não é mais importante do que o conteúdo. Essa verdade ecoa como uma chamada de Deus para corrigirmos nossa visão espiritual, pois vivemos em dias em que muitos estão mais impressionados com a aparência do que com a essência, mais fascinados com o brilho externo do que com a verdade que realmente transforma. Mas diante do Senhor, aquilo que está por fora nunca sustentou o que está por dentro. Deus não se curva diante de números, aplausos, estruturas ou performances. Ele sonda o coração, pesa as intenções, examina a motivação. Ele procura conteúdo e não contingente.

Jesus mesmo confrontou essa lógica quando declarou: “Vós julgais segundo a carne, eu a ninguém julgo” (João 8:15). A carne olha para o volume; Cristo olha para o valor. A carne celebra o que é grande; Cristo celebra o que é verdadeiro. A carne se encanta com o que impressiona; Cristo se agrada do que é genuíno. O Senhor não se impressiona com multidões barulhentas, mas se revela a corações humildes. Ele não se move por quantidade, mas por qualidade espiritual.

É por isso que tantas vezes o Evangelho nos chama ao secreto, ao quebrantamento, à renúncia, porque ali o conteúdo é provado. Ali a fé é refinada. Ali o caráter é moldado. Em 1 Samuel 16:7, está escrito: “Pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração”. O homem celebra o contingente; Deus examina o conteúdo. E toda vez que o coração se afasta dessa verdade, nasce o perigo da superficialidade: um cristianismo raso, cheio de movimento, mas sem transformação; cheio de barulho, mas sem obediência; cheio de aparência, mas sem fruto.

O Senhor não nos chamou para parecermos espirituais, mas para sermos cheios do Espírito. Não nos chamou para exibirmos dons, mas para produzirmos caráter. Não nos chamou para reunirmos pessoas, mas para sermos pessoas inteiras diante d’Ele. Porque, no fim, o contingente passa, mas o conteúdo permanece. O externo se desgasta, mas o interno sustenta. A folha murcha, mas o fruto testifica.

Talvez o Senhor esteja chamando você a ajustar seu foco. Talvez o Pai esteja sussurrando ao seu coração: “Eu quero você, não o que você mostra. Quero verdade, não performance. Quero profundidade, não aparência”. Ele está nos chamando de volta ao lugar onde o conteúdo é formado – à cruz, ao arrependimento, ao silêncio diante da Palavra, ao quebrantamento que dá forma à alma.

Que você permita que o Espírito Santo remova camadas de vaidade espiritual e restaure em você a simplicidade do Evangelho. Que sua vida não seja definida pelo que você exibe, mas pelo que você carrega. Porque, diante de Deus, o contingente não vale nada se o conteúdo não for Cristo vivendo em você.

E se Cristo for o conteúdo, então tudo o mais será consequência.

Pr. Rodrigo Deiró

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