Obediência
É muito perigoso quando a
medida do êxito de alguém deixa de ser a obediência
e passa a ser o “sucesso” obtido em nome de Deus. Quando os olhos se
desviam das Escrituras e se voltam para aquilo que “funciona”, o coração começa a interpretar
resultados como aprovação divina, como se Deus estivesse obrigado a carimbar
tudo o que prospera externamente, esquecendo que o próprio Senhor anunciou: “Nem
todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus, mas aquele que
faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” (Mateus 7:21). Há gente
fazendo muito “em nome de Jesus”
e, ainda assim, caminha para ouvir: “Nunca vos conheci; apartai-vos de
mim, vós que praticais a iniquidade” (Mateus 7:23).
Mas a Palavra nos
confronta: “Há caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os
caminhos da morte” (Provérbios 14:12). Nem tudo o que dá certo é certo.
Nem tudo o que impressiona a terra tem valor no céu. Não é sem razão que o
Senhor diz: “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos,
nem os vossos caminhos, os meus caminhos” (Isaías 55:8). Existem
movimentos grandiosos que soam como triunfo aos ouvidos humanos, mas que,
diante do propósito eterno de Deus, são irrelevantes, assim como há coisas
pequenas, desprezíveis para o sistema religioso e para o mercado evangélico,
que são de infinito peso de glória diante de Deus – “[...] porque o que
entre os homens é elevado, perante Deus é abominação” (Lucas 16:15).
Por isso, o chamado do
Senhor sempre foi e sempre será para a obediência, e não para a ostentação. O
Reino não é erguido sobre força humana, estratégias eloquentes ou resultados
brilhantes, mas sobre um coração alinhado à vontade de Deus. “Porém
Samuel disse: Tem porventura o Senhor tanto prazer em holocaustos e
sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do Senhor? Eis que o obedecer é
melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros”
(1 Samuel 15:22). O céu não mede o que fazemos, mas o que nos tornamos enquanto
fazemos; não contabiliza quantos degraus subimos, mas quanto Cristo cresceu em
nós. É possível crescer em nome de Cristo e ainda assim não ter Cristo
crescendo dentro de si. É possível impressionar multidões e, ainda assim, não
mover o coração de Deus.
Uma das marcas dos homens
e mulheres que realmente exigem a Deus no tempo em que vivem é uma obediência “violenta”, isto é, uma disposição
inegociável de fazer a vontade de Deus, custe o que custar. Não é violência
contra pessoas, mas contra a própria carne, contra o orgulho, contra a busca do
próprio nome. Jesus disse: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si
mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me” (Lucas 9:23). Essa é a
violência santa de quem prefere perder oportunidades a perder a comunhão com
Deus, de quem prefere ser pequeno na terra a ser reprovado no céu. A aprovação
deles não é seletiva, não é sazonal, não é mercenária; é entrega total. Eles
não negociam princípios por causa de convites, plataformas, relacionamentos,
dinheiro ou visibilidade. Como Paulo declarou: “Já estou crucificado com
Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim” (Gálatas 2:20). A
obediência desses homens não nasce de uma disciplina fria, mas de um coração
tomado, possuído e conduzido por Cristo.
Pessoas assim nunca poderão ser compradas, porque já foram conquistadas. Eles não pertencem a si mesmos, não pertencem a um sistema, não pertencem ao aplauso: pertencem a Cristo. “Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no seu corpo e no seu espírito, os quais pertencem a Deus” (1 Coríntios 6:20). Estão mortos para a lógica do “funciona, então é de Deus” e vivos para a lógica do “está escrito, então eu obedeço”. Eles não correm atrás de “resultados em nome de Deus”; correm atrás de fidelidade ao Deus do Nome. E, no fim, quando muitos exibirão seus currículos espirituais, esses homens e mulheres trarão apenas cicatrizes de obediência, cruzes financeiras, renúncias escondidas, e ouvirão o que é a única frase que realmente importa: “[...] Bem está, servo bom e fiel… entra no gozo do teu senhor” (Mateus 25:21).
Pr. Rodrigo Deiró



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