Pelo seus frutos os conhecereis
Jesus não tolera
aparência sem essência, folhas sem fruto, culto sem vida. Quando se
aproximou da figueira faminta de fome, viu de longe folhas vistosas, promessa
de fruto, aparência de produtividade, mas nada para alimentar. Então o Senhor
liberou um decreto e a figueira secou, revelando o juízo contra a hipocrisia
que engana os famintos e ofende a santidade de Deus (Marcos 11:12-14; 20-21).
Não foi apenas sobre uma árvore; foi sobre um princípio espiritual. Quem exibe
folhas sem dar fruto promete alimento e entrega engano; vende aparência e nega
a graça; atrai olhares, mas não sustenta ninguém à mesa do Reino (Mateus
23:27-28). O Evangelho é nova criação: não mascara a morte, ressuscita; não
pinta o barro, transforma o vaso; não troca figurino, troca o coração (Ezequiel
36:26). O Senhor não busca brilho de folhas, Ele vem procurar fruto, porque “pelos
seus frutos os conhecereis” (Mateus 7:20).
O problema de exibir
folhas sem fruto é que isso engana quem está com fome. Engana quem se aproxima
buscando Cristo e encontra apenas religiosidade. Engana quem espera graça, mas
encontra performance. Engana quem busca água viva, mas recebe um discurso vazio.
Assim são aqueles que cultivam uma imagem de piedade, mas não vivem o que
mostram. Demonstram uma aparência que não condiz com a vida que realmente têm.
Vestem máscaras, maquiam erros, ensaiam frases espirituais, fazem movimentos
que parecem profundos, mas não conseguem nutrir ninguém com a Vida do Cristo.
Tudo é pose, tudo é folha, tudo é esforço para sustentar um personagem que
cansa, drena, desgasta e, no fim, revela a esterilidade.
Há uma geração cansada de
sustentar personagens, de viver sob a pressão de parecer santo sem ser, de
maquiar o pecado sem confessar, de cantar alto sem obedecer em secreto (Isaías
29:13). Sustentar personagens cansa porque é obra da carne, não do Espírito;
exige máscaras novas a cada culto, justificativas novas para velhos pecados e
desculpas polidas para desobediências persistentes (Gálatas 5:19-21). Cristo
não chamou atores, chamou discípulos; não chamou figueiras vistosas, chamou
ramos conectados; não chamou plateia, chamou noiva (João 15:5). A justificação
tira você da lama, declara-o justo pelo sangue; a santificação tira a lama de
você, conforma-o a Cristo; mas a religiosidade sem fruto só veste a lama com
roupas de domingo, mantendo o cheiro de morte debaixo do perfume (Romanos 5:1;
1 Tessalonicenses 4:3-4). Deus não se deixa escarnecer: aquilo que o homem
semeia, isso também ceifará; e o campo do coração, cedo ou tarde, revela sua
estação por meio dos frutos (Gálatas 6:7-8).
Jesus disse que “pelos
seus frutos os conhecereis”. Não é pelos dons, não é pela eloquência, não é
pela liturgia, não é pela aparência espiritual. É pelo fruto, pelo caráter
moldado, pelo amor manifesto, pela renúncia real, pela pureza restaurada, pela
obediência sincera, pela transformação contínua.
A figueira secou porque
escolheu parecer ao invés de ser. E o Senhor não abençoa folhas sem fruto. Ele
não respalda a vida onde há brilho sem verdade, movimento sem essência,
discurso sem prática. Ele sonda, Ele conhece, Ele se aproxima, e quando Ele
chega perto, não avalia folhas, avalia frutos.
Que ao invés de
enganarmos os famintos, sejamos mesa que os alimenta. Hoje, se ouvirdes a Sua
voz, não endureçais o coração. O Senhor se aproxima do teu coração como se
aproximou da figueira. Se as tuas mãos só têm folhas, clama pela seiva da
Videira: lança fora a máscara, abre a raiz para a Luz, confessa, reconcilia,
recomeça, permanece. Porque no fim, o que permanecerá não é a aparência, mas o
fruto; fruto que testifica, fruto que glorifica, fruto que revela que Cristo
vive em nós.
Pr. Rodrigo Deiró



Amém!
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