Relacionamento por Propósito
Quem é maduro na fé não se relaciona por carência ou conveniência,
mas sempre por propósito.
Há uma geração inteira
confundindo comunhão com conveniência, e vínculo espiritual com necessidade
emocional. Muitos estão cercados de pessoas, mas continuam vazios. Estão
abraçados, mas continuam frios. Estão acompanhados, mas continuam sozinhos.
Sabe por quê? Porque há uma diferença enorme entre relacionar-se por
carência e relacionar-se por propósito. Quem é maduro na fé não se
aproxima das pessoas para suprir o que falta, mas para cumprir o que Deus
mandou.
A Palavra de Deus diz em Amós 3:3: “Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?”. Isso significa que toda caminhada compartilhada precisa de propósito espiritual. Relacionamentos que não nascem em Deus são fardos, não bênçãos. Amizades que não são regidas pelo Espírito Santo se tornam lugares de distração, não de edificação.
O Senhor está reconfigurando a maneira como o Seu povo se relaciona. Ele está purificando alianças, quebrando vínculos carnais e restaurando conexões espirituais. Está separando aqueles que se unem por interesse dos que se unem por obediência. Deus não quer mais uma igreja cheia de relações movidas por carência — Ele quer uma igreja unida pelo propósito do Céu.
Por isso, é tempo de olhar para dentro e perguntar: O que tem movido os meus relacionamentos? É carência? É conveniência? Ou é propósito? Se o que te aproxima das pessoas é apenas o que você pode receber delas, há algo errado com a tua motivação. O Espírito Santo não une por carência; Ele une por destino. E se não é o Espírito que estimula a comunhão, qualquer outra motivação é, como já disse alguém com sabedoria, “adultério de estímulo” — uma infidelidade emocional ao propósito divino.
Deus nunca desejou que a comunhão entre os Seus filhos fosse um lugar de troca, mas um lugar de transformação. Quando a Palavra fala em Atos 2:42 que os primeiros cristãos “perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações”, não está falando de uma amizade humana, mas de uma unidade espiritual, gerada pelo Espírito Santo e sustentada pelo amor de Cristo.
Comunhão verdadeira não é conveniência social; é aliança espiritual. Ela se manifesta mesmo quando há atrito, mesmo quando há correção, mesmo quando o outro não corresponde como você esperava. Porque quem tem o Espírito entende que amor não é emoção, é decisão. E fidelidade não é reciprocidade, é natureza de Cristo em nós.
Quando o Espírito Santo
une dois corações por propósito, nem o tempo, nem a distância, nem as
circunstâncias conseguem romper esse vínculo. Veja o exemplo de Davi e Jônatas:
“E Jônatas fez aliança com Davi, porque o amava como à sua própria alma”
(1 Samuel 18:3). Jônatas não estava com Davi porque era conveniente. Pelo
contrário, sua amizade com Davi o colocava em risco diante de seu pai Saul.
Mesmo assim, ele permaneceu fiel, porque reconhecia o propósito de Deus na vida
de seu amigo.
Da mesma forma, Daniel manteve laços santos com seus três companheiros mesmo em terra estrangeira. Eles oravam juntos, jejuavam juntos, se posicionavam juntos — porque havia um propósito maior os unindo. Jesus, por sua vez, encontrava em Marta, Maria e Lázaro um refúgio de amizade e descanso, porque aquele lar era um ambiente de amor e hospitalidade ungido.
Relacionamentos por propósito são protetores, como Jônatas foi para Davi; provedores, como Daniel foi para seus amigos; acolhedores, como Marta, Maria e Lázaro foram para Jesus; perseverantes, como João foi ao pé da cruz; atualizadores, como Priscila e Áquila foram para Apolo; e transbordantes de amor, como Cristo é conosco. Esses relacionamentos não competem, complementam. Não drenam, fortalecem. Não confundem, edificam. São pessoas que não te prendem, te empurram para o chamado. Que não te bajulam, te confrontam. Que não te distraem, te direcionam. É assim que Deus trabalha: Ele te conecta com quem carrega uma parte da tua promessa.
Mas para discernir isso, é preciso maturidade espiritual. Aquele que é maduro na fé entende que nem todo “amigo” é enviado por Deus, e nem toda “desconexão” é obra do inimigo. Às vezes, Deus mesmo separa pessoas da tua vida, não por desamor, mas porque aquele ciclo terminou. E insistir em permanecer ligado a quem Deus já desligou é rebelar-se contra o processo de crescimento espiritual.
Há quem esteja sofrendo não porque o diabo atacou, mas porque não soube deixar ir quem o Espírito já havia removido. Deus não une por lembrança, Ele une por direção. Quem é guiado pelo Espírito não vive de laços emocionais, vive de alianças espirituais. Amigo verdadeiro não é quem concorda contigo em tudo, mas quem te leva de volta à vontade de Deus. É quem chora contigo, mas também te corrige. É quem celebra tuas vitórias, mas também ora por tuas quedas. Como está escrito em Provérbios 27:6: “Leais são as feridas feitas pelo amigo, mas os beijos do inimigo são enganosos”.
É tempo de amadurecer no modo como nos relacionamos. O imaturo procura companhia; o maduro procura comunhão. O imaturo quer atenção; o maduro busca edificação. O imaturo se aproxima por necessidade; o maduro se conecta por propósito. Deus está levantando uma geração que não se move por carência, mas por convicção. Uma igreja que entende que verdadeira comunhão é encontro de destinos, não de vazios. É o Espírito Santo quem gera, sustenta e santifica os relacionamentos que vêm de Deus. Se há vínculos em tua vida que te afastam da cruz, é hora de cortar. Se há amizades que não te impulsionam ao propósito, é hora de rever. Se há alianças que te fazem regredir, é hora de romper. Porque toda relação que não te leva a Cristo, te distrai d’Ele.
Lembre-se: “A reunião só acontece em Cristo”. Fora d’Ele, qualquer comunhão é apenas ajuntamento humano. Dentro d’Ele, até o silêncio compartilhado tem sentido eterno. Ore para que o Senhor te cerque de relacionamentos de propósito — pessoas que te protejam, te provejam, te atualizem, te abriguem e te amem como Ele te ama. Que os teus vínculos sejam santos, que as tuas alianças sejam firmes, e que a tua comunhão seja sempre movida pelo Espírito. E que em cada relação da tua vida o Céu possa dizer: “Isto é de Deus.”
“E todos os que criam
estavam juntos e tinham tudo em comum.”
(Atos 2:44)
Portanto, não te acomode na carência, não se venda à conveniência, mas se entregue ao propósito — pois só aí serás realmente maduro na fé.
Pr. Rodrigo Deiró



Amém!
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