Renúncia
Renúncia. Palavra que
poucos querem ouvir e que muitos interpretam mal. Quando falamos sobre
renúncia, quase sempre nossa mente corre primeiro para as coisas materiais.
Pensamos no dinheiro, nos bens, nos sonhos, na profissão. Pensamos no que
podemos tocar, no que podemos medir, no que podemos listar diante de Deus como
prova de entrega. Mas a Palavra nos confronta com algo muito mais profundo,
porque tudo o que é exterior nasce de um lugar interior. No entanto, a
verdadeira renúncia começa muito antes das mãos abrirem. Antes de qualquer
oferta, antes de qualquer sacrifício, antes de qualquer demonstração visível,
Deus olha para aquilo que governa nossa vida. É por isso que Ele diz: “Dá-me,
filho meu, o teu coração” (Provérbios 23:26).
É no coração que habitam
nossas doutrinas, convicções, razões e fundamentos. É ali que guardamos aquilo
que realmente molda nossas escolhas, direciona nossos passos e define as
estruturas invisíveis que sustentam nossa existência. E é justamente por isso
que, muitas vezes, preferimos oferecer coisas a Deus (tempo, dinheiro, talentos)
para não precisarmos entregar o que mais resistimos em abrir mão: nosso próprio
governo interno. Renunciar objetos é fácil; renunciar razões, certezas pessoais
e crenças produzidas pelo orgulho é o ponto onde muitos travam. Em suma, o coração
é o trono de governo da vida humana; e o problema é que, muitas vezes, esse
trono está ocupado por nós mesmos.
É do coração que fluem as
fontes da vida; mas também é do coração que fluem nossas idolatrias, nossas
justificativas, nossos acordos internos, nossas narrativas pessoais. Por isso,
quantos não moldam Deus à sua própria imagem? Adaptam Jesus ao seu estilo de
vida, encaixam o evangelho dentro dos seus limites pessoais e chamam isso de
“fé”. Maquiam sua idolatria com atividades espirituais, mas o senhorio de
Cristo nunca toca o trono interno. Querem um Deus que cure, mas não um Deus que
governe; um Salvador que restaure, mas não um Senhor que confronte. Querem
bênçãos, mas rejeitam transformação. Querem direção, mas rejeitam rendição.
O Reino de Deus não entra
no coração por cerimônias exteriores, mas por rendição interior. Não é o quanto
você entrega, é quem governa você. Não ofereça nada a Deus se antes o seu
coração não for entregue a Ele. Não apresente sacrifícios buscando aprovação.
Não tente movimentar “coisas” para não mexer no que realmente importa. Deus não
está pedindo suas posses; Ele está pedindo seu centro, seu trono, sua vontade,
sua verdade. Ele quer ser o Senhor do seu interior para então transformar todo
o seu exterior.
Dê ao Senhor a cadeira de
governo da sua vida. Tire você mesmo do trono. Ainda que doa, ainda que
confronte, ainda que exponha áreas que você gostaria de esconder, entregue o
que você é e não apenas o que você tem. Renuncie o que sustenta seu orgulho, o
que alimenta sua justiça própria, o que mantém seu eu no comando. Somente
quando Jesus reina no coração é que Ele pode reinar em toda a vida.
“Sobre tudo o que se deve
guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida”
(Provérbios 4:23). E Jesus reafirma essa verdade quando diz: “Porque onde
estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Mateus 6:21).
O que governa seu coração governa sua história. Se o trono ainda é seu, sua vida continuará girando em torno de você. Mas se o trono é de Cristo, tudo em você será alinhado ao Reino, e somente assim, por meio da renúncia interior, nasce a verdadeira vida, a verdadeira fé e o verdadeiro caminho com Deus.
Pr. Rodrigo Deiró



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