A vitória de quem se rende
Neste versículo,
encontramos Jesus em um dos momentos mais angustiantes de Sua vida. No
Getsêmani, Jesus nos leva ao lugar onde a fé deixa de ser discurso e se torna
decisão. Ali não há plateia, não há aplausos, não há milagres visíveis. Há chão
molhado de suor, há silêncio pesado e há um Filho prostrado com o rosto em
terra. O texto diz que Ele foi “um pouco adiante”. Às vezes,
obedecer a Deus exige ir além de onde os outros conseguem ir, além do conforto,
além das explicações fáceis, além da fé superficial.
Jesus não estava
recitando uma oração decorada. Ele estava derramando a alma. Suas lágrimas eram
tão intensas que o evangelho diz que Seu suor se tornou como gotas de sangue. Ele
sente angústia, tristeza profunda, aflição real. Era o Filho enfrentando o peso
do pecado do mundo. No Getsêmani, aprendemos que sentir medo não é pecado,
mas fugir da vontade do Pai é. O problema não é o desejo de que o cálice passe,
mas a recusa em obedecer quando ele não passa.
O cálice representa
aquilo que não escolhemos, mas que nos é apresentado pelo propósito de Deus. É
a dor que não pedimos, a perda que não planejamos, o caminho que não parece
justo aos nossos olhos. Todos nós, em algum momento, estaremos diante de um cálice.
E a pergunta não é se vamos sentir medo, mas o que faremos quando nossa vontade
entrar em choque com a vontade do Pai. Nesse instante, o céu viu o verdadeiro
significado da obediência. Porque obedecer quando tudo é fácil não exige fé;
mas render-se quando tudo dentro de nós grita o contrário, isso sim é fé
genuína.
Jesus mostra que a maior
batalha não foi travada na cruz, mas no jardim. A cruz foi consequência de uma
decisão tomada de joelhos. Antes de cravos nas mãos, houve rendição no coração.
Antes do “está consumado”, houve um “não seja como eu
quero”. Isso revela que obediência não começa quando tudo faz sentido,
mas quando confiamos mesmo sem entender. Jesus nos mostra que submissão não é
fraqueza, é poder sob controle. O homem que se prostra diante de Deus permanece
de pé diante de qualquer circunstância. A mulher que se rende à vontade do Pai
caminha com firmeza mesmo quando os ventos sopram contra. Submeter-se à vontade
de Deus é confiar que mesmo aquilo que dói agora, pode frutificar depois.
Há momentos em que
obedecer a Deus parece perder. Parece abrir mão, recuar, morrer por dentro. Mas
o Getsêmani nos ensina que toda rendição verdadeira precede uma ressurreição. O
Pai nunca desperdiça a dor de um filho obediente. O cálice pode ser amargo, mas
o resultado é eterno. Mas, até onde vai a nossa obediência? Nós seguimos a
vontade de Deus enquanto ela combina com nossos planos ou mesmo quando ela nos
leva ao chão? Fé madura não é a que diz “Deus fará do meu jeito”,
mas a que ora com lágrimas e ainda assim declara: “seja feita a Tua
vontade”.



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