A Voz do Espírito no tempo da ruptura
Ó vós, que vos dizeis do
Senhor, escutai a voz que brada no deserto de vossas almas! Porventura, não vos
apercebeis do tempo de transição que vos cerca? Não vos iludais com a falsa paz
de um ciclo que termina, pois o Espírito vos chama a uma ruptura santa. É tempo
de discernir, de separar o precioso do vil, de lançar fora o que não foi
trazido pela mão do Altíssimo.
Porventura, não vos
lembrais que muitos se achegaram a vós, não por Cristo, mas pela carência que
vos consumia, pela conveniência que lhes era oportuna, ou pelos desejos que
promoviam vossas reuniões? Tais uniões, forjadas na carne e não no Espírito,
não subsistirão ao fogo da prova. E quando se forem, não vos entristeçais como
os que não têm esperança, pois o Senhor vos purifica.
Mas, ai de vós que vos
moveis pelo afeto e não pelo propósito! O nosso caminhar não é ditado pelos
laços da alma, mas pela vontade soberana de Deus. Não vos apegueis a pessoas
boas que se vão, pois há um tempo para todo o propósito debaixo do céu. Se elas
se retiram, é porque não estão dispostas a pagar o preço da nova medida que o
Senhor vos impõe. Tende maturidade para compreender que o propósito de Deus é
maior que vossos sentimentos.
É chegada a hora de acabar
com as coisas de menino! Porventura, não vos lembrais da Palavra que diz: "Quando
eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino;
mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino"
(1 Coríntios 13:11)? A transição de ciclos exige que vos despojeis da
mentalidade infantil, para que não sejais mais "meninos
inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina"
(Efésios 4:14). A inconstância é a marca da imaturidade, e a imaturidade vos
fará naufragar no novo tempo. O propósito de Deus é um chamado que exige renúncia
e cruz. O Mestre foi claro: "Se alguém vier a mim e não aborrecer a
seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua
própria vida, não pode ser meu discípulo" (Lucas 14:26). Vede que
o preço do discipulado é a supremacia de Cristo sobre todo e qualquer afeto
terreno. A nova medida não comporta sentimentalismos carnais; ela exige a
primazia do Espírito.
Lembrai-vos de Gideão, o
valente, que pelejou contra os midianitas com apenas trezentos homens. Mas,
antes, para destruir o altar de Baal, bastaram-lhe dez. Há lugares para onde
Deus vos levará, ó crentes, onde não cabe todo mundo que hoje vos acompanha. O
caminho da glória é estreito e a porta, apertada.
Não vos escandalizeis com
a solidão do propósito. Havia doze a caminhar com o Mestre, mas na glória da
Transfiguração, apenas três o contemplaram. E na hora suprema, ao pé da cruz,
apenas um discípulo permaneceu. Há mesas onde nem todos se sentam, e áreas que
nem todos podem acessar. Quem é guiado pelo Espírito não se prende em
sentimentos, mas avança no que é reto e verdadeiro.
É tempo de virar a
página! Quem se casa com um ciclo, será viúvo no próximo. A maturidade vos fará
entender o contexto do livro. Não vos prendais ao passado, pois o Senhor já
está a enviar novas pessoas ao vosso caminho: um Samuel para vos ungir, um
Jônatas para vos acompanhar, ou até mesmo um Natã para vos corrigir.
Não vos assusteis com o
Golias que se levanta, pois novos ciclos geram novas batalhas, mas também novas
recompensas. O Senhor vos exorta: Estejais abertos para novos ciclos! Pois,
como está escrito, ninguém deita vinho novo em odres velhos; de outra sorte, o
vinho novo romperá os odres, e entornar-se-á o vinho, e os odres se estragarão.
O vinho novo deve ser posto em odres novos. Sede, pois, odres novos, prontos
para receber a unção fresca e o mover do Espírito. Não vos conformeis com a
mesmice, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento.
Este é um tempo em que o
Espírito está esperando você a se desprender do ciclo que já terminou, a parar
de implorar a Deus que ressuscite alianças que Ele mesmo encerrou, a abandonar
a necessidade de ser compreendido por quem não quer virar a página. Você
precisa responder a esse chamado com quebrantamento, mas também com coragem:
coragem para deixar ir quem já decidiu não caminhar na mesma medida; coragem
para permitir que Deus troque cercas de proteção por campos mais amplos;
coragem para admitir que alguns relacionamentos foram construídos mais em cima
da sua carência do que da cruz de Cristo. Abra-se para o novo ciclo sem
romantizar o antigo, sem endeusar o que passou e sem demonizar cada ruptura.
Deus não está apenas tirando pessoas da sua vida, está tirando pesos; não está
apenas mudando sua agenda, está alinhando seu destino. Quem insiste em agarrar
o que Deus está removendo acaba perdendo o que Deus está trazendo; mas quem se
rende, quem aceita ser odre novo, verá o vinho novo fluir, a presença de Deus
se manifestará em níveis que exigirão mais de você, mas também revelarão um
propósito que fará cada perda valer a pena.
Pr. Rodrigo Deiró



Amém 🙏
ResponderExcluirAmém 🙏
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