Deus não está no telhado


 

Tem dias em que dobramos os joelhos, abrimos a boca e o coração, mas sentimos como se nossas palavras voltassem vazias, ecoando no silêncio do seu quarto como um grito sem resposta. A resposta não vem e a alma começa a questionar se Deus ainda está ouvindo. Você clama, insiste, jejua, mas o céu parece de bronze, impenetrável e o desespero sussurra que Deus se esqueceu de você. Esses momentos são profundamente humanos e espiritualmente desafiadores. Contudo, a fé nos chama a olhar além da sensação e a confiar na verdade eterna. Deus não está distante, nem indiferente e muito menos ausente. Ele não está em cima do telhado esperando que a oração chegue até Ele; Ele está dentro do quarto, presente, atento, junto a ti.

Jesus nos ensinou: “Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai, que vê o que está oculto; e teu Pai, que vê o que está oculto, te recompensará. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que, por muito falarem, serão ouvidos” (Mateus 6:6-7). O texto não diz que Deus observa de longe, mas que Ele está ali, no secreto, no ambiente da oração, no espaço onde ninguém vê além do Pai. Quando parece que o céu está fechado, na verdade Deus está tão próximo que o problema não é a distância, mas o processo. Muitas vezes Deus silencia não por ausência, mas por trabalho profundo no coração. Enquanto você olha para cima, Ele te encara de perto, confrontando sua dúvida com a presença que nunca te abandonou: “[...] Não te deixarei, nem te desampararei” (Hebreus 13:5).

Aprendemos a medir a presença de Deus pelas respostas imediatas e não pela Sua fidelidade constante. Queremos sentir, ouvir, perceber, mas Deus nos chama a crer. A Palavra afirma: “Porque andamos por fé e não por vista” (2 Coríntios 5:7). Há momentos em que a oração não muda as circunstâncias externas, mas muda o interior de quem ora. O silêncio de Deus nunca é vazio; ele está cheio de propósito, de ensino e de amadurecimento.

O salmista também experimentou essa sensação e clamou: “Deus meu, eu clamo de dia, e tu não me ouves; de noite, e não tenho sossego” (Salmos 22:2). Ainda assim, ele não abandonou o clamor, porque sabia que o Deus que parecia silencioso continuava sendo fiel. Deus não se afasta quando você está cansado, confuso ou abatido. Pelo contrário, “perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado e salva os contritos de espírito” (Salmos 34:18). Ele se aproxima ainda mais quando a dor tenta nos convencer de que estamos sozinhos.

Esta palavra nos exorta a permanecer. A oração não é um grito para alcançar um Deus distante, mas um descanso na presença de um Pai que já está perto. Mesmo quando você não sente, Ele está. Mesmo quando você não entende, Ele age. Mesmo quando suas palavras parecem cair no chão, Deus as recolhe como incenso precioso. Continue orando, continue confiando, continue entrando no quarto. O teto pode parecer um limite para você, mas nunca foi um limite para Deus. Ele está aí, contigo, sustentando sua fé até o dia em que a resposta, no tempo certo, se tornará clara.

Pr. Rodrigo Deiró


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