Do espelho a cruz: a libertação que começa em mim
Adão, foi você?
— Não, Senhor. Foi a mulher que tu me deste.
Eva, foi você?
— Não, foi a serpente.
O velho jogo de transferir a culpa começou no Éden e continua ecoando até hoje. Somos rápidos em apontar o dedo, em buscar um culpado mais conveniente, enquanto ignoramos a verdade que habita dentro de nós. Colocamos rótulos no inimigo, acusamos o sistema, julgamos pessoas e esquecemos que o maior campo de batalha é dentro do coração.
Desde o princípio, o Senhor não perguntou “quem te tentou?”, mas “onde estás?” (Gênesis 3:9). A voz divina não buscava uma explicação, mas uma confissão. Deus sabe o que aconteceu; quem precisa saber é o homem, quando finalmente se enxerga. O problema não é o pecado isolado, é o coração que o abriga. E enquanto fugirmos da responsabilidade, permaneceremos cativos, mesmo de joelhos, mesmo dentro da igreja.
O ápice da libertação não é quando o inimigo solta nossas amarras, mas quando o Espírito Santo quebra o poder do “eu” que ainda domina a vontade. Não é quando Deus nos tira das mãos do adversário, mas quando Ele nos tira das nossas próprias mãos. Antes de acusar o tentador, olhe no espelho. Porque o adversário até prepara o caminho, mas quem dá o passo somos nós. Ele sussurra, mas quem escolhe ouvir somos nós. Ele acende o fogo, mas quem leva a lenha somos nós.
É por isso que o arrependimento é a chave. O arrependimento não é quando você chora, é quando você muda. Não é remorso; é conversão. Não é dor na consciência; é transformação da mente. É quando deixamos de olhar pela janela da justificativa e nos colocamos diante do espelho da verdade.
Quando o Espírito ilumina o interior e nos mostra tudo o que ainda não é Cristo, então o arrependimento começa. E cada vez que reconhecemos e rendemos mais uma área, Cristo cresce em nós. Sua vida toma forma em nossas atitudes, e a santidade deixa de ser um discurso para se tornar o reflexo d’Aquele que habita em nós.
Assumir responsabilidade é o primeiro passo da mudança. Confessar não é vergonha, é libertação. E toda libertação verdadeira começa na cruz, onde o culpado se encontra com a graça, e o velho homem finalmente se cala diante do Cordeiro que tudo transforma.
Pr. Rodrigo Deiró



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