Do fundamento à glória: construindo tudo em Cristo


 


Há pausas que Deus permite não para nos atrasar, mas para nos alinhar. Dias de silêncio, reflexão e menor movimento são como aquela inspeção cuidadosa que um engenheiro faz antes de autorizar novos andares em um prédio. Porque não adianta continuar construindo para cima se o fundamento estiver comprometido. É nesses dias que o Espírito nos chama a olhar com honestidade para aquilo que estamos levantando e perguntar, sem filtros e sem desculpas, se estamos realmente edificados em Cristo ou apenas usando o nome d’Ele para sustentar interesses pessoais, carências emocionais, necessidades não tratadas ou desejos disfarçados de propósito.

Pense na casa que Davi quis construir para Deus. Ele tinha boa intenção mas Deus disse não, porque o coração ainda carregava sangue de batalhas humanas (2 Samuel 7). Muitas pessoas constroem “para Deus” mas não “em Deus”. A obra continua de pé, porém o eixo se desloca. Quando Cristo deixa de ser o fundamento e passa a ser apenas um recurso, o edifício pode até parecer bonito, mas se torna instável. Basta uma tempestade, uma frustração ou um atraso para revelar onde tudo estava apoiado.

Imagine sua vida como uma estrada reta. É partir de Cristo como origem absoluta, ou seja, toda ideia, passo, decisão nasce no coração d’Ele e não na sua ansiedade ou comparação com o irmão do lado. É decidir que Cristo não será consultado apenas depois que tudo já foi planejado. Ele é o ponto de partida. Antes de perguntar “o que eu quero?”, a pergunta passa a ser “o que Ele quer?”. Cristo se torna o padrão, a régua, o critério. Se algo não nasce d’Ele, não vale a pena nem começar.

Mas não basta começar em Cristo e tentar terminar na força do braço. Ser cristocêntrico é manter Cristo no centro enquanto se constrói. É reconhecer que Ele não é só a origem, mas a vida do processo. Não é apenas “a partir dEle”, é “através dEle”. Aqui morre o orgulho espiritual de quem diz “Deus me deu a visão, agora eu executo”. Não! Se Ele não sustentar cada passo, o que começou no Espírito termina na carne. Permanecer cristocêntrico é resistir à tentação de dar o “jeitinho”, de acelerar etapas, de assumir o controle quando o processo aperta.

E, por fim, é lembrar que o destino também é Ele. Cristo não é só a porta que se abre no início, nem apenas o caminho no meio da jornada, mas também Ele é a linha de chegada. A glória não é nossa, o reconhecimento não é nosso, o aplauso não é nosso. Tudo termina n’Ele. Quando a obra cresce, quando os frutos aparecem, quando as portas se abrem, o coração precisa estar decidido: “A Ele seja toda honra, toda glória e todo louvor”. O problema nunca foi Deus nos usar; o problema é quando queremos usar o que Deus fez para promover a nós mesmos.

A grande meta para 2026, 2027, 2028 e todos os anos que virão não é produzir mais, correr mais ou aparecer mais. É não construir absolutamente nada fora desse fundamento. Porque tudo o que não nasce dEle, não permanece por Ele e não termina para Ele, mais cedo ou mais tarde desmorona. Como diz a Escritura: “Porque dEle, e por Ele, e para Ele são todas as coisas” (Romanos 11:36).

Que este novo ano seja menos sobre planos inflados e mais sobre fundamentos ajustados. Menos sobre acrescentar coisas e mais sobre remover tudo aquilo que não é d’Ele, por Ele e para Ele. Que você tenha um 2026 totalmente em Cristo, no começo, no meio e no fim.

Pr. Rodrigo Deiró

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