Guardados ou Perdidos: A prova da fidelidade


 

Ontem, no culto de ensino da Palavra, meu pastor começou sua ministração fazendo a leitura do capítulo 17 do Evangelho de João. Um capítulo inteiro em forma de oração de Jesus ao Pai, tradicionalmente chamada de “oração sacerdotal ou intercessória”.

Uma palavra ardente brota do coração de Jesus em João 17 e que nos alcança hoje como um chamado urgente à vigilância, à santidade e ao retorno ao centro da fé. Naquela oração sacerdotal, Cristo não apenas fala aos céus; Ele revela o que realmente importa para Deus e expõe o que deveria importar para nós. E quando chegamos ao versículo 12, somos confrontados por um cuidado tão profundo e uma seriedade tão intensa que não podemos permanecer indiferentes: “Estando eu com eles no mundo, guardava-os em teu nome. Tenho guardado aqueles que tu me deste, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que a Escritura se cumprisse”.

Jesus afirma que guardou Seus discípulos, preservou-os, protegeu-os, sustentou-os, impediu que se extraviassem. Ele não foi um líder ausente, não foi um Mestre distante. Ele esteve presente, zeloso, atento, firme. E isso expõe a nossa geração, porque muitos querem seguir a Cristo sem se submeter ao Cristo que guarda, ao Cristo que vigia, ao Cristo que disciplina e confronta. Querem a salvação, mas resistem ao pastoreio. Querem a paz, mas rejeitam a obediência. Querem as promessas, mas não acolhem o processo.

No texto, há um nome que ecoa de forma sombria: “filho da perdição”. Essa distinção não é casual nem simbólica; é um alerta. Jesus, o Bom Pastor, não perde nenhuma de Suas ovelhas. Mas há os que, embora sejam próximos dos rebanhos, não pertencem a ele de fato. Judas caminhou ao lado da Verdade encarnada, reuniu as palavras de vida, presenciou milagres, partilhou do pão e, ainda assim, o seu coração fechado, suportável, entregue à sua própria vontade. Perdeu-se não porque Cristo falhou, mas porque não se deixou guardar. Isso é confrontador. Cristo guarda, sustenta e protege, mas não força o coração rebelde a permanecer sob Seu cuidado.

Quantos hoje vivem como Judas! Estão “com Jesus”, frequentam Seus cultos, falam Seu nome, mas não estão “em Jesus”. O cuidado divino é real e inviolável, mas a comunhão exige rendição. O Senhor ainda guarda os que o Pai lhe deu, mas não servirá de amuleto aos que escolherão o caminho da traição, da aparência, da conveniência religiosa. Não precisamos ser mais uma história de perda espiritual, não precisamos repetir caminhos de autossabotagem, não precisamos viver à margem da vida abundante. Mas para isso, precisamos nos render ao Guardião das nossas almas. É tempo de despertar! O discípulo verdadeiro é aquele que permanece, não por força, mas por fé; não por medo, mas por amor.

Portanto, a oração de Jesus no Evangelho de João 17 nos exorta a examinar o coração. Temos vivido debaixo do Nome que guarda ou apenas perto do Nome que salva? Cristo continua a interceder, e Seu olhar percorre os corações, distinguindo o campo do fingido, o rendido do interesseiro. Ele guarda os que são Seus e nisto há segurança eterna. Mas aquele que se entrega às sombras de sua própria vontade, como Judas, faz cumprir a Escritura da perdição. Que o Espírito Santo nos conserve no Nome que é fortaleza, abrigo e verdade. E que, ao final, quando o Senhor prestar contas dos que o Pai lhe deu, possa incluir cada um de nós entre os que Ele guardou, íntegros, perseverantes e fiéis até o fim.

Pr. Rodrigo Deiró

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