Não desista da igreja

 


Vivemos dias sombrios e escandalosos, em que muitos se escandalizam com o estado da igreja visível. Nossos olhos se entristecem ao verem líderes caindo em pecados vergonhosos, púlpitos sendo contaminados por um “evangelho da prosperidade” que promete o que Cristo nunca prometeu, estruturas religiosas dando abrigo a lobos devoradores, salmistas trocando sua integridade por mesas políticas, vozes que deveriam ser proféticas depositando sua esperança em homens, trocando sua unção por aplausos e, feiticeiros modernos comercializando “palavras” em troca de pix. O Evangelho, para alguns, se tornou mercadoria. E o rebanho, sem discernimento, aplaude escândalos como se fossem vitórias.

Apesar de todo esse lama espiritual, a igreja continua sendo “a esposa de Cristo”, aquela pela qual Ele amou, entregou-Se por ela, para santificá-la, purificá-la pela lavagem da água pela palavra, “para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito” (Efésios 5:27). A noiva pode ser provada, mas jamais será destruída. A perspectiva do céu não mudou. O que Deus viu na igreja quando derramou seu Filho ainda é o que Ele vê. A Noiva pode estar sendo atacada, ferida, ferida por dentro e por fora, mas ela continua sendo a Noiva que Cristo santifica, purifica e preserva até o dia da apresentação final.

Qual deve ser o nosso posicionamento diante desse cenário? Não fomos chamados para ser espectadores indignados, nem críticos ácidos que assistem de longe. Não é tempo de desistir, mas de reconstruir. Somos chamados a ser “sábios construtores” (1 Coríntios 3:10), homens e mulheres que edificam, restauram, levantam-se e fortalecem, cooperando com o Espírito Santo na edificação do corpo. O tempo exige firmeza, maturidade e fidelidade. O verdadeiro servo não abandona a casa porque há rachaduras; ele pega o instrumental da graça e ajuda a restaurá-la. O tempo chama por santos que não fogem, mas permanecem. Por crentes que não se escandalizam ao ponto de abandonar a fé, mas que se tornam parte da resposta de Deus para a crise.

Não deixemos de congregar (Hebreus 10:25), pois o isolamento espiritual é terreno fértil para o engano. Não negligencie a devoção coletiva, pois os primeiros discípulos perseveravam unânimes em oração e cânticos (Atos 1:14; Efésios 5:19-20). Submeta sua vida ao corpo, sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo (Efésios 5:21). Confesse suas fraquezas e pecados, porque a cura brota na luz (Tiago 5:16). Confronte em amor quem tropeça, buscando sempre a restauração, nunca a exposição (Mateus 18:15-17). Sirva com seus dons para a edificação do corpo (Efésios 4:12-16). Pregue a Palavra a tempo e fora de tempo (2 Timóteo 4:2). Faça discípulos, porque esta é a missão que nunca foi revogada (Mateus 28:19-20). Seja generoso no coração e na prática (2 Coríntios 9:7). Sirva os irmãos em suas necessidades (Gálatas 6:9-10). Honre aqueles que trabalham fielmente no Evangelho (Gálatas 6:6; 1 Timóteo 5:17). Este é o caminho dos construtores. Este é o caminho dos que perseveram. Este é o caminho dos que amam verdadeiramente a igreja.

Não desista da igreja! Ela não é um problema; é o corpo ferido que o próprio Cristo está curando. Ela não é uma invenção dos homens; é obra das mãos de Deus. Não é um prédio, uma denominação ou uma estrutura, mas é a Noiva amada, santificada e preservada pelo Senhor. Ele ainda está edificando a Sua igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Em dias escuros, não abandone a lâmpada; aproxime-se dela. Em tempos de confusão, não despreze o corpo; fortaleça-o com sua presença, seu serviço e sua fidelidade.

Não desista da igreja! Porque Cristo não desistiu e nunca desistirá dela.

Pr. Rodrigo Deiró


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