Onde começa a ordem, floresce o amor
A família é uma
construção divina, mas muitos lares estão ruindo não por falta de amor, e sim
por falta de princípios firmes. Amor sem verdade vira permissividade e carinho
sem direção se transforma em confusão. Por isso, a Palavra de Deus nos chama a
edificar a casa sobre a rocha e não sobre a areia das opiniões humanas. Toda
família precisa de fundamentos claros. Casa sem princípios é como um barco sem
leme: até flutua por um tempo, mas qualquer corrente mais forte a leva para
longe do propósito. Deus nunca chamou a família para viver no improviso, mas
sobre fundamentos bem estabelecidos.
O primeiro princípio é estabelecer
regras. Onde não há limites, nasce a confusão. Deus é Deus de ordem, não de
confusão (1 Coríntios 14:33). Uma casa sem regras não é um lar acolhedor, é um
território instável. Juízes 21:25 diz que “cada um fazia o que parecia
reto aos seus olhos”, e o resultado foi caos. Regras não são ausência
de amor; são trilhos que conduzem a família em segurança. Um pai que não
corrige, uma mãe que não orienta e filhos que não aprendem o valor da
obediência – tudo isso cria uma casa onde o “eu” reina no lugar de Cristo. Amor
sem direção gera filhos inseguros e adultos perdidos. Precisamos assegurar que
nossos filhos entendam os limites e valores que construímos juntos. Lembremos
das palavras de Salomão: “Instrui o menino no caminho em que deve andar,
e, até quando envelhecer, não se desviará dele” (Provérbios 22:6). Em
suma, as regras não estão aqui para aprisionar, mas para libertar!
O segundo princípio é boa
comunicação. A comunicação é o sangue da convivência. É o vaso através do
qual o amor flui. Comunicação ruim cria feridas silenciosas. Onde falta
diálogo, cresce o mal-entendido, a desconfiança e o ressentimento. Muitas
famílias não brigam, mas também não conversam; apenas coexistem. A Bíblia nos
orienta a falar a verdade em amor (Efésios 4:15). Comunicação clara evita
suposições, quebra mal-entendidos e impede que o inimigo construa fortalezas de
silêncio. Falar com clareza não é apenas dizer o que se pensa, mas se preocupar
se o outro entendeu o que se quis dizer. Onde não se fala, o coração se
distancia. Quantos lares estão em guerra silenciosa porque ninguém fala o que
sente com amor e verdade! A Bíblia nos ensina que “a resposta branda
desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira” (Provérbios 15:1).
Uma palavra bem dita pode apagar incêndios, enquanto uma palavra impensada pode
incendiar anos de relacionamento.
O terceiro princípio é servir
e suprir a família. Família não é lugar de egoísmo, é campo de serviço.
Jesus ensinou que o maior é o que serve. Servir é amar em ação. Não
basta morar sob o mesmo teto, é preciso se doar. Jesus lavou os pés dos
discípulos para ensinar que o maior é o que serve. Pais que servem mostram o
amor de Cristo; filhos que servem aprendem o caráter de Cristo. Suprir
não é apenas pagar contas; é perceber necessidades emocionais, espirituais e
afetivas. Não é ser servo de vontades humanas, mas instrumento do cuidado
divino. Às vezes, o amor estará em preparar a mesa, ouvir em silêncio, corrigir
com firmeza ou simplesmente abraçar. Cada gesto é uma forma de suprir a alma da
casa. Há lares cheios de recursos, mas vazios de presença. Em Gálatas 5:13,
somos exortados a “servir uns aos outros pelo amor”. Quem ama,
serve. Quem serve, sustenta. E quando todos colaboram, a harmonia do lar se
revela.
O quarto princípio é deixar
o achismo de lado e seguir a Palavra. Achismo é um conselheiro fraco. Uma
família que caminha pelo “achismo” está à deriva. O que “acho
certo” muda com o tempo; o que é Escrito permanece. A Palavra de Deus
não é uma opinião, é fundamento. Quando a Palavra deixa de ser referência, os
sentimentos passam a governar. E sentimentos são instáveis. O Salmo 119:105
declara que a Palavra é lâmpada para os pés, não para os sentimentos.
Princípios bíblicos mantêm a família em pé quando as emoções falham. Quando a
Bíblia deixa de ser a bússola, surgem pais permissivos, filhos confusos e
casamentos instáveis. Viver pela Palavra é se submeter ao padrão de Deus, não
ao conforto do momento. Pensemos em Mateus 7:24, onde Jesus nos adverte sobre a
importância de construir sobre a rocha. Não deixemos que o “achismo”
guie nossos passos, mas que a Palavra seja a luz que ilumina nosso caminho.
O quinto princípio é ter
cuidado com o exemplo que somos. Filhos aprendem mais pelo que veem do que
pelo que ouvem. Um grama de exemplo pesa mais que mil palavras. Os ouvidos do
seu filho podem estar fechados ao conselho, mas os olhos estão abertos ao
exemplo. Um pai que ora ensina a fé mais profundamente do que mil palavras
sobre oração. Uma mãe que perdoa mostra Cristo de forma mais poderosa do que
qualquer ensino sobre graça. Cada atitude dentro de casa é uma semente. O que
você planta no cotidiano (paciência, generosidade ou crítica) brotará no
coração dos que te observam. O lar é o primeiro campo missionário de todo
cristão. O apóstolo Paulo disse: “Sede meus imitadores, como eu sou de
Cristo” (1 Coríntios 11:1). Dentro do lar, cada atitude é um sermão.
Paulo completa em 1 Timóteo 4:12 – “[...] mas sê o exemplo dos fiéis, na
palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza”. Cada ato de
amor, de perdão e de dedicação é um testemunho poderoso.
Família não se constrói no discurso, mas na prática diária. Deus não procura lares perfeitos, mas lares alinhados. A família é como um jardim: se não houver princípios, cresce o mato. Mas se houver semeadura diária de ordem, amor, serviço, Palavra e exemplo, florescerá um lar que glorifica a Deus e inspira outras famílias. Quando princípios governam a casa, a presença de Deus encontra ambiente para permanecer. E onde o Senhor governa, mesmo em meio às lutas, há ordem, propósito e esperança.
Pr. Rodrigo Deiró



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