Quando a dor ensina


 

“Porque o Senhor corrige o que ama e açoita a qualquer que recebe por filho”
(Hebreus 12:6)

Há dores que nos visitam sem pedir licença, chegam quebrando expectativas, desmontando certezas e revelando fragilidades que preferíamos manter escondidas. E é exatamente nesse lugar, onde o orgulho cai e a força humana se cala, que o Evangelho nos confronta com uma verdade profunda: em Cristo, a dor não é desperdício, é discipulado. Sim, em Cristo, a dor é pedagógica. Ela não vem para destruir, mas para moldar. A Escritura afirma que “o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Coríntios 12:9), não porque a fraqueza seja boa em si mesma, mas porque nela aprendemos a depender inteiramente da graça. Quando tudo parece ruir, Deus não está ausente; Ele está trabalhando em profundidade.

As tribulações não são castigos, são instrumentos. Elas produzem paciência, experiência e esperança (Romanos 5:3-4). Produzem maturidade em quem decide permanecer firme. Cada lágrima rega uma raiz invisível que, no tempo certo, produzirá fruto eterno. Por isso o apóstolo Paulo também declara que “a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente” (2 Coríntios 4:17). Leve não porque dói pouco, mas porque é passageira quando comparada à eternidade que nos aguarda.

O maior confronto está em olhar para Cristo, nosso modelo perfeito. A Palavra diz que Ele, “ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu” (Hebreus 5:8). Se o próprio Filho aprendeu no caminho do sofrimento, quem somos nós para imaginar crescimento sem cruz? Cristo em nós não é uma vida que floresce apenas em dias ensolarados; é uma vida que se fortalece no vale, amadurece no silêncio e se aprofunda na dor. Em Cristo, os sofrimentos têm prazo, mas a vida é eterna. As tempestades não vêm para afundar o barco, vêm para amadurecer a tripulação.

John Bunyan escreveu que quanto maiores são as provações, maiores são as consolações. Aquele que está quebrado aos pés do Senhor se torna uma testemunha viva da fidelidade divina. Continue. Não desista. Não recue. Não interprete a dor como abandono, nem a luta como derrota. No fim das contas, tudo será lapidação, amadurecimento, aperfeiçoamento e testemunho. Deus não remove todas as nossas dores, mas em Cristo faz com que nenhuma delas seja inútil. Nenhuma lágrima será em vão, porque Aquele que começou a boa obra é fiel para completá-la, mesmo quando o caminho passa pelo vale. Ele transforma aflições em aprendizado, luto em consolo, e deserto em lugar de encontro. Diante d'Ele, o sofrimento deixa de ser tragédia e se torna caminho de glória.

Pr. Rodrigo Deiró

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