Quando a obediência precede o livramento


 

Daniel é lembrado pela história extraordinária da cova dos leões. Aos olhos dos homens, o destaque está no livramento público, no milagre visível, na vitória que silenciou acusadores e exaltou o nome de um servo fiel. Muitos aplaudem o milagre, mas poucos percebem a obediência que antecedeu o milagre. A terra celebra o momento em que as bocas dos leões foram fechadas, mas o céu já celebrava Daniel muito antes disso. Deus não começou a reconhecer Daniel na cova; Deus o conhecia desde o dia em que ele decidiu, em secreto, não se contaminar.

A Escritura diz: “E Daniel assentou no seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia” (Daniel 1:8a). É fácil ser fiel quando todos estão olhando, mas a verdadeira fidelidade se mede nas decisões que ninguém vê. Daniel escolheu a integridade quando a conveniência dizia “não tem problema”. Antes de qualquer livramento extraordinário, houve uma decisão interior. Antes da fidelidade pública, houve uma renúncia silenciosa. Antes de Deus fechar a boca dos leões, Daniel fechou a porta para a contaminação. O mundo enxerga o final da história, mas Deus observa o início, quando ninguém está aplaudindo, quando obedecer custa posição, conforto e aceitação.

Vivemos dias em que muitos querem a cova transformada em palco de glória, mas não querem o quarto fechado da consagração. Querem o livramento sem o compromisso, a vitória sem o altar, a honra sem a renúncia. Contudo, o Reino de Deus não funciona segundo a lógica da terra. A terra celebra conquistas, números e resultados visíveis; Deus celebra a obediência, o temor e a fidelidade no oculto. A Palavra afirma: “porque o Senhor não vê como vê o homem. Pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração” (1 Samuel 16:7).

Daniel não negociou seus valores para se adaptar à cultura babilônica. Ele entendeu que agradar a Deus é mais importante do que sobreviver aos sistemas deste mundo. Mais tarde, quando a lei injusta tentou calar sua oração, ele manteve o mesmo padrão: “Daniel… entrou em sua casa… e três vezes no dia se punha de joelhos, e orava, e dava graças, diante do seu Deus, como também antes costumava fazer” (Daniel 6:10). O mesmo homem que foi fiel na mesa foi fiel no quarto de oração. A obediência não foi circunstancial; foi um estilo de vida.

O livramento da cova não foi um acaso, foi consequência. Deus apenas manifestou em público aquilo que já estava estabelecido em secreto. A cova revelou aos homens quem Daniel era, mas a obediência já havia revelado Daniel a Deus. E quando Deus conhece alguém dessa forma, nenhuma cova é profunda demais, nenhum leão é feroz demais, nenhuma conspiração é forte demais para frustrar Seus propósitos. “O meu Deus enviou o seu anjo e fechou a boca dos leões [...]” (Daniel 6:22), porque antes disso Daniel havia decidido fechar a porta para o pecado.

Talvez você queira que Deus te livre da cova, mas Deus quer te encontrar antes dela. A geração que busca fama diante dos homens precisa lembrar-se de que o verdadeiro reconhecimento vem de Deus. Se quiser ser lembrado nos céus, proponha em seu coração não se contaminar. Os leões podem rugir, mas não te vencerão se tua fidelidade estiver decidida antes da luta. Deus continua honrando aqueles que O honram. A obediência pode não gerar aplausos imediatos, mas ela constrói um testemunho eterno diante do céu. E quando o dia da prova chegar, não será a fama que nos sustentará, mas a fidelidade que cultivamos quando ninguém estava olhando.

Pr. Rodrigo Deiró

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