Renunciar o que brilha para abraçar o que permanece
Há momentos em que aquilo
que o mundo chama de “oportunidade” brilha aos nossos olhos como
um atalho sedutor, uma promessa de facilidade ou um caminho que parece
perfeito. O brilho do imediatismo tenta roubar a visão do propósito eterno. Por
isso Jesus afirmou: “Quem quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome
a sua cruz e siga-me” (Mateus 16:24). Negar-se é a linguagem da
renúncia e prosseguir é a consequência da concordância. Toda vez que você diz “não”
a uma oportunidade fora do propósito, está dizendo “sim” à
vontade de Deus – e as portas que Ele mesmo preparou inicialmente a se
escancarar. O Reino nunca deixa alguém perder por obedecer.
Quantos têm oportunidade
confundida com propósito! Nem tudo o que se abre diante de nós vem de Deus. Há
portas que o inimigo disfarça de vitória apenas para nos afastar do centro da
vontade divina. O homem carnal é seduzido pelo que é rápido; o homem espiritual
espera o tempo do Pai. Renunciar é custoso, mas o preço da obediência será
sempre menor que o prejuízo da desobediência. O céu honra quem escolhe o
propósito. Deus não revela portas a quem insiste em caminhos estranhos. Ele
manifesta direção a quem decide permanecer na rota do propósito.
Abraão renunciou à
segurança de sua terra para abraçar o propósito de Deus (Gênesis 12:1). José
abriu mão de justificativas humanas, recusou oportunidades sedutoras e, por
isso, viu Deus abrir a porta da exaltação (Gênesis 39:9). Jesus renunciou à
glória eterna para cumprir o plano da salvação (Filipenses 2:8). Quem escolhe o
propósito, ainda que perca oportunidades aos olhos dos homens, é engrandecido
por Deus no tempo certo. Porque “a vitória do Senhor é que
enriquece, e não acrescenta dores” (Provérbios 10:22).
A verdade é que há portas
que só se abrem do lado de dentro do propósito. Não importa quantas chaves você
tente, quantos esforços você faça, quantas conexões você busque: a porta
do propósito não se abre para quem está em caminhos que Deus não assinou.
Mas quando você renuncia aquilo que rouba seu foco, aquilo que alimenta sua
pressa, aquilo que sabota sua fé, aquilo que parece oportunidade mas fere a sua
identidade, então Deus faz o que só Ele pode fazer: Ele escancara portas.
Portas que não têm tranca humana. Portas que não dependem de currículo. Portas
que não se movem por influência. Portas que se abrem pela fidelidade ao
propósito.
Diante disso, não tema
perder o que nunca foi seu; tema perder o que Deus preparou para você. Não tema
renunciar convites; tema perder sua identidade. Não tema desapontar pessoas;
tema entristecer o Espírito Santo. Não tema o silêncio das oportunidades; tema
o barulho das distrações. Porque quando você renuncia o caminho que te afasta,
Deus amplia o caminho que te conduz. E quando você permanece fiel ao propósito,
aquilo que parecia distante se aproxima, aquilo que parecia pequeno cresce,
aquilo que parecia impossível acontece. Afinal, Deus continua sendo aquele que “abre,
e ninguém fecha; e fecha, e ninguém abre” (Apocalipse 3:7).
É preciso discernir entre o que é conveniente e o que é dirigido pelo Espírito. Quem vive de oportunidades se sustenta do acaso; quem vive de propósito caminha em direção ao destino. Então, se for preciso renunciar, renunciar. Renuncie sem medo. Obedeça sem hesitar. Caminhe sem negociar. Porque o propósito nunca fecha portas – ele apenas fecha desvios, para abrir destino. E quando Deus abre portas, não são apenas abertas… elas se escancaram.
Pr. Rodrigo Deiró



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