Revestidos para permanecer de pé


 

Todos nós enfrentamos dias em que parece que o peso do mundo repousa sobre nossos ombros. Há momentos em que as tentações vêm com força, os pensamentos se tornam uma batalha e o desânimo tenta se assentar em nosso coração. O mundo não dá tréguas, a carne insiste, e as astutas ciladas do diabo não se apresentam de forma escancarada, mas disfarçadas em pensamentos, distrações, desânimo e concessões silenciosas. É justamente nessas horas que precisamos ouvir com atenção o clamor do apóstolo Paulo: “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo” (Efésios 6:11). Note que a ordem não é opcional, nem eventual; é um chamado diário à vigilância e à obediência. Revestir-se de Deus é questão de sobrevivência para o cristão.

O problema de muitos crentes não é a intensidade da batalha, mas a negligência no preparo. Não podemos enfrentar as lutas da vida com as armas humanas. Tentamos enfrentar guerras espirituais com forças naturais, confiando em experiências passadas, em emoções momentâneas ou em uma fé que não é alimentada. Esquecemos que nossa luta não é apenas contra circunstâncias visíveis, mas contra um inimigo que conhece nossas fraquezas e sabe exatamente onde atacar. O diabo trabalha nas sombras, disfarça suas intenções, manipula emoções e mente, sussurrando enganos em meio às distrações do cotidiano. Por isso, Deus nos chama a usar a armadura que Ele mesmo providenciou; não apenas para lutar, mas para permanecer de pé. Essa armadura é mais que uma metáfora; é uma postura espiritual de fé, pureza e dependência constante do Senhor.

Vestir a verdade é rejeitar as mentiras que o inimigo lança. Vestir a justiça é andar em retidão quando o pecado tenta seduzir. Calçar os pés com o evangelho da paz é permanecer firme quando o caos tenta nos paralisar. Levantar o escudo da fé é repelir os dardos inflamados da dúvida. E empunhar a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus, é responder às trevas com a autoridade do Céu. Quem assim se reveste não é derrotado pelas circunstâncias, porque sabe que a batalha é dura, mas o Deus que luta por nós é invencível.

Deus não prometeu ausência de luta, mas prometeu provisão para vencer. A armadura não é decorativa, é funcional; não é simbólica apenas, é essencial. Quem insiste em caminhar sem ela acaba ferido, confuso e enfraquecido, não porque Deus falhou, mas porque escolheu lutar sem se revestir do que Ele já concedeu. Hoje, o Espírito Santo nos chama ao arrependimento da superficialidade espiritual e à retomada de uma vida de oração, Palavra e vigilância.

Examine-se com sinceridade diante de Deus e pergunte a si mesmo se tens enfrentado os desafios do dia a dia revestido da armadura ou apenas confiando em suas próprias forças. Dobre seus joelhos, clame pela graça do Senhor e decida, não apenas hoje, mas todos os dias, vestir a armadura d’Ele. Porque vestir a armadura de Deus é lembrar, mesmo em meio às lutas mais intensas, que não estamos sozinhos, que não lutamos desprotegidos e que, firmados no Senhor, podemos permanecer de pé até o fim.

Pr. Rodrigo Deiró

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