A Renovação que Deus deseja
Não é difícil perceber
como as coisas que nos rodeiam começam a perder o brilho e a funcionalidade ao
longo do tempo. Se você olhar com atenção, verá como uma casa que antes era
bonita e aconchegante pode começar a mostrar sinais de desgaste: rachaduras nas
paredes, uma pintura descascada, pisos que já não têm o mesmo charme. O que é
curioso, no entanto, é que muitas vezes, os moradores dessa casa se acostumam
com os defeitos. Em vez de repará-los, eles simplesmente ignoram, vivem com a
aparência de que está tudo bem, e seguem sua vida como se nada precisasse ser
alterado. Isso acontece porque, na maioria das vezes, é mais fácil conviver com
o que já conhecemos do que enfrentar a dificuldade e o trabalho necessário para
a transformação.
Esse cenário é o mesmo em
nossas vidas. Quantas vezes nos acostumamos com defeitos internos, com
comportamentos destrutivos e com padrões de pensamento que não nos levam a
lugar nenhum? O apóstolo Paulo, ao escrever aos romanos, nos desafia a uma
mudança radical: “E não vos conformeis com este mundo, mas
transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis
qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2).
Ele não está falando de uma mudança superficial, de uma aparência diferente,
mas de uma transformação profunda e verdadeira. Quando Paulo nos chama à
renovação do entendimento, ele nos convida a mexer na estrutura interna da
nossa vida, assim como um pedreiro que reforma uma casa, trocando a fundação
podre por algo sólido.
A transformação que Paulo
menciona começa na mente. Quando nossa mentalidade muda, nossas atitudes,
escolhas e até nossos relacionamentos mudam. Tudo começa ali, na forma como
pensamos sobre nós mesmos, sobre Deus, sobre os outros e sobre o mundo. Se não
houver uma renovação na maneira de pensar, qualquer mudança externa será
superficial, ineficaz, como pintar as paredes de uma casa sem consertar as
rachaduras.
A renovação da mente
exige coragem. Ela exige o reconhecimento de que não estamos onde deveríamos
estar, que há áreas de nossa vida que precisam de reparo. Isso pode ser
doloroso, pois estamos lidando com a necessidade de admitir que não somos
perfeitos, que não temos todas as respostas e que precisamos mudar. Contudo, a
mudança verdadeira só ocorre quando estamos dispostos a admitir nossa
necessidade de transformação.
O que impede muitas
pessoas de experimentarem essa mudança? Primeiro, a ignorância. O
profeta Oséias diz em 4:6: “O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o
conhecimento”. Muitos vivem em um ciclo de destruição pessoal porque
não reconhecem suas falhas ou não sabem como se corrigir. Ignorar nossos
problemas não os faz desaparecer, assim como uma rachadura não vai sumir por
mais que a gente ignore. O conhecimento e o discernimento são fundamentais para
entender o que precisa ser mudado em nós. Se achamos que já sabemos tudo, então
estamos deixando a porta do aprendizado fechada, e isso bloqueia qualquer
possibilidade de mudança.
Outro obstáculo é a inflexibilidade.
Quando alguém é inflexível, ela acredita que está sempre certa, que seu jeito
de pensar e agir é o único correto. O Provérbio 12:15 diz: “O caminho do
tolo é reto aos seus olhos, mas o que dá ouvidos ao conselho é sábio”.
A inflexibilidade pode criar uma parede em nossos relacionamentos,
impedindo-nos de aprender com os outros e crescer. Isso nos torna
emocionalmente imaturos, bloqueando a renovação que tanto precisamos. A pessoa
que não ouve conselhos se prende a um ciclo de decisões erradas e nunca cresce.
E, por falar em
crescimento, a inconsistência também é uma inimiga da transformação.
Tiago 1:8 fala sobre o homem “de coração dobre”, que é
inconstante em todos os seus caminhos. Quando não somos consistentes, a mudança
que buscamos nunca se concretiza. Agimos de maneira impulsiva, sem perseverança
e isso enfraquece qualquer processo de transformação. O que falamos não é
respaldado pelas nossas atitudes, e, em vez de amadurecer, acabamos retornando
aos mesmos erros de sempre.
A falta de coragem,
alimentada pelo medo, é outro fator que nos impede de mudar. 2 Timóteo
1:7 nos lembra que “Deus não nos deu o espírito de temor, mas de
fortaleza, e de amor, e de moderação”. O medo nos paralisa, nos impede
de agir. Ele cria cenários catastróficos que raramente se concretizam e nos
mantém dentro de uma zona de conforto que, na verdade, é uma prisão. Não
podemos nos deixar prender pelo medo do fracasso, do julgamento ou da mudança
em si. O medo só enfraquece a nossa capacidade de crescer.
E, finalmente, o orgulho.
O orgulho é a barreira mais difícil de superar, pois ele nos impede de ver
nossas próprias falhas. “Deus resiste aos soberbos, dá, porém, graça aos
humildes” (Tiago 4:6). O orgulho nos faz acreditar que somos
autossuficientes e que não precisamos de ajuda. Isso nos impede de reconhecer
que precisamos mudar. Só os humildes podem se submeter ao processo de
renovação, pois eles reconhecem suas falhas e se permitem ser moldados por
Deus.
No fim das contas, a
verdadeira transformação começa quando abrimos o coração para ouvir. Não
adianta querer mudar se não tivermos humildade para reconhecer que algo precisa
ser alterado. Deus não trabalha em corações endurecidos, mas em vidas
dispostas. Ele não está à procura de pessoas perfeitas, mas de corações que
busquem a mudança com sinceridade.
Eu te pergunto, agora,
olhando para a sua vida: você está um pouco melhor hoje do que ontem? Se a
resposta for sim, isso é sinal de que a renovação está acontecendo. Se não, que
tal abrir o coração para Deus, permitindo que Ele comece o processo de transformação
que você tanto deseja? A verdadeira mudança começa dentro de você, na renovação
do entendimento, para que você possa viver a boa, agradável e perfeita vontade
de Deus.
Senhor, nós te agradecemos pela tua Palavra que nos confronta e nos chama à transformação. Livra-nos da conformação, do orgulho e do medo que nos impedem de crescer. Renova a nossa mente, alinha o nosso coração e forma em nós o caráter de Cristo. Dá-nos um espírito humilde, ensinável e disposto a mudar todos os dias. Nós entregamos nossa vida, nossa casa e nosso futuro em tuas mãos, confiando que o Senhor continua operando em nós. Em nome de Jesus. Amém!
Pr. Rodrigo Deiró



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