Deus Não Vê Aparência, Vê Intenção
Vivemos um tempo em que a
narrativa vale mais do que a verdade, em que a embalagem é celebrada enquanto o
conteúdo é ignorado. As pessoas aprendem a construir versões de si mesmas,
personagens ajustados ao gosto do público, imagens bem tratadas, discursos
afinados, posturas treinadas. Mas Deus nunca se impressionou com narrativa. Ele
não se move por edição, não Se convence por performance, não Se rende a
aparência. Deus conhece a intenção. Antes da palavra sair da boca, antes do
gesto ser visto, antes da ação ser aplaudida, Ele já sondou o coração – “Eu,
o Senhor, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos [...]”
(Jeremias 17:10). Em tempos onde tudo é imagem, Deus ainda busca essência. Em
dias de filtros, Ele ainda procura pureza. Em uma geração seduzida por
performances, Ele ainda sonda o coração.
Há uma tensão clara entre
o que o mundo valoriza e o que o céu procura. O mundo vê fama, vê dinheiro, vê
números, vê likes, vê estética, vê alcance. O mundo celebra quem brilha, mas
Deus observa quem resiste. O mundo aplaude quem performa bem em público, mas
Deus examina quem permanece fiel no secreto. “Quem subirá ao monte do
Senhor ou quem estará no seu lugar santo?”, pergunta o salmista no
Salmo 24:3. E a resposta vem firme como uma espada: “Aquele que é limpo
de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura
enganosamente” (Salmo 24:4). Limpar as mãos fala do que fazemos, mas a
pureza do coração fala do porquê fazemos. É possível ter mãos limpas diante das
pessoas e um coração contaminado diante de Deus. É possível fazer a coisa certa
com a motivação errada. Aos olhos humanos isso parece sucesso; aos olhos de
Deus é reprovação silenciosa.
Existe um clamor urgente
neste tempo pela pureza de coração. Não é um chamado para melhorar a
performance espiritual, mas para alinhar as intenções. A falsa espiritualidade
gerou gigantes dos palcos e anões da vida real. Homens fortes na retórica, mas
fracos na rotina. Pregadores eloquentes, mas esposos ásperos. Cantores
inspiradores, mas pais ausentes. Há ministérios inteiros edificados sobre
carisma, enquanto o caráter apodrece em silêncio. É o evangelho dos holofotes –
brilhante por fora, vazio por dentro. Jesus foi direto quando disse: “Este
povo honra-me com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim”
(Mateus 15:8). O problema nunca foi o louvor nos lábios, mas a distância no
coração.
O cenário se torna ainda
mais perigoso porque vivemos sob algoritmos que recompensam aparência e punem
verdade. A mentira hoje não é grosseira; ela é bem produzida. O engano tem
design, tem roteiro, tem iluminação, tem trilha sonora. A falsidade aprendeu a
se comunicar melhor do que a verdade. Por isso, quem é verdadeiro parece
arrogante, quem é autêntico parece antiquado, quem anda em integridade soa duro
num mundo viciado em aplauso. A coerência virou resistência; a sinceridade
virou escândalo. Mas Deus nunca ajustou Seus critérios à cultura vigente. O que
agrada ao algoritmo não necessariamente agrada ao altar.
Mas ainda ecoa a voz do
Senhor a Samuel. Diante dos filhos de Jessé, todos fortes, altos,
impressionantes, Samuel quase erra porque também foi seduzido pela aparência.
Então o Senhor o interrompe com uma palavra que atravessa os séculos: “Não
atentes para a sua aparência, nem para a altura da sua estatura… porque o
Senhor não vê como vê o homem. Pois o homem vê o que está diante dos olhos,
porém o Senhor olha para o coração” (1 Samuel 16:7). Aquilo que parecia
improvável aos olhos humanos era exatamente o escolhido de Deus. O céu nunca
erra porque nunca avalia pela superfície.
Deus está levantando um
remanescente que não vive pela estética da fé, mas pela essência da fidelidade.
Gente que não negocia intimidade por influência. Que não troca verdade por
visibilidade. Que prefere ser anônimo mas aprovado por Deus, do que famoso e
reprovado no céu.
O Senhor está sussurrando aos seus: “Não se preocupem com a narrativa, preocupem-se com a intenção”. Porque, no fim, quando os palcos forem desmontados e as luzes apagarem, o que ficará diante d’Ele será o coração – nu, real, inteiro. E nesse dia, não valerá a popularidade, nem a estética, nem a personalidade, mas apenas uma coisa: a pureza diante de Deus.
Pr. Rodrigo Deiró



Muito bom👏🏽👏🏽..."Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida."
ResponderExcluirProvérbios 4:23