Força na colaboração


 

Moisés, um homem escolhido por Deus, usado para receber instruções diretamente do Senhor e realizar milagres poderosos, como abrir o Mar Vermelho, é um exemplo marcante de liderança. Mas há algo profundamente humano em sua história, algo que muitas vezes tentamos ignorar em nossa busca incessante por força. Quando suas mãos se cansaram e ele se viu diante da impossibilidade de continuar sozinho, não foi um sinal de fraqueza. Foi um reflexo de sua humanidade.

A Bíblia é clara ao mostrar que até Moisés, o grande líder, aquele que dialogava com Deus face a face, sentiu o peso da responsabilidade, o desgaste da luta. Quando as mãos de Moisés se cansaram, ele não tentou seguir em frente com suas próprias forças, não pediu que Deus o fizesse imune ao cansaço. Ele permitiu que a ajuda chegasse. Arão e Hur não apenas o observaram, mas sustentaram suas mãos, um de cada lado, até o pôr do sol. Não foi um simples gesto de apoio, mas uma lição divina: a vitória não vem pelo esforço solitário, mas pela colaboração, pelo compartilhamento de cargas, pela ajuda mútua.

Deus, em Sua infinita sabedoria, poderia ter sustentado Moisés sozinho. Ele, que pode tudo, poderia ter feito Moisés imune ao cansaço ou poderia ter enviado um exército para lutar em nome do líder. Mas Deus escolheu agir de outra forma. Ele quis nos ensinar algo essencial. A vitória vem d'Ele, sim, mas o processo requer a participação de outros. Deus não nos chamou para viver em solidão, nem para lutar sem irmãos ao nosso lado. Ele nos ensina que a jornada da vida nunca é uma estrada solitária.

Quem insiste em carregar o mundo nos ombros, que tenta fazer tudo sozinho, não está sendo forte, está sendo orgulhoso. Está tentando viver segundo um modelo que Deus nunca estabeleceu. A verdade é que o orgulho nos faz acreditar que precisamos ser autossuficientes, que depender de outros é sinal de fraqueza, quando, na realidade, depender dos outros é um reflexo da verdadeira força que vem de saber que somos todos humanos, falhos e limitados.

Olhe ao seu redor. A vida nos ensina, desde o nascimento até a morte, que ninguém caminha sozinho. Moisés teve sua falha revelada, mas também teve a graça de ser sustentado, e isso nos mostra que é normal, e até necessário, contar com a ajuda dos outros. Não somos feitos para lutar sozinhos. E nem a morte, a última jornada de todos, nos permite essa solidão. Quando um ser humano deixa este mundo, ele não é enterrado sozinho, não carrega seu próprio caixão. Até o último momento, há pessoas que nos sustentam.

É esse o plano de Deus para nossas vidas. Ele nos criou para sermos um corpo, para que as mãos de um sustentem as mãos de outro, para que as fraquezas de um sejam amparadas pela força de outro. Isso é mutualidade cristã. Quando você se sentir cansado, quando o peso parecer insuportável, lembre-se que não há vergonha em buscar apoio. Lembre-se que você não está sozinho e que, no corpo de Cristo, ninguém é uma ilha. Deus nunca estabeleceu que você fosse forte o tempo todo, mas sim que você soubesse que a verdadeira força está em depender d’Ele e de quem Ele coloca ao seu redor.

Não caminhe sozinho. A vitória de Moisés não veio por sua força isolada, mas pela ajuda divina e humana. Deus nunca planejou que a caminhada fosse solitária. E, ao final, mesmo quando a luta é pesada e o corpo se cansa, o Senhor, em Sua bondade, sempre colocará mãos dispostas a sustentar as suas.

Pr. Rodrigo Deiró

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