Não solte os remos
Existe um silêncio que assusta mais do que a tempestade. É o intervalo entre a oração feita e a resposta esperada. Nesse espaço, muitos confundem entrega com inércia. Oram, dizem “seja feita a tua vontade” e, logo depois, cruzam os braços como quem acredita que fé é apenas esperar a correnteza decidir o rumo. Mas a Escritura nunca tratou a fé como uma sala de espera confortável; a fé bíblica sempre foi movimento, obediência em ação, confiança que se manifesta em passos concretos.
O mar, em toda a sua vastidão, nos lembra da soberania de Deus. Ele é quem estabelece os limites das águas, quem ordena ao vento que se cale e às ondas que se aquietem. “O Senhor reina; está vestido de majestade” (Salmos 93:1). Ele é a bússola infalível, o Norte absoluto, Aquele que conhece o destino antes mesmo da partida. Mas dentro do barco existe algo que Deus não toma das nossas mãos: os remos. Eles representam a responsabilidade pessoal, a disciplina diária, o esforço que confirma a sinceridade da oração. Pedir direção e se recusar a remar é desejar milagre sem compromisso.
Muitos estão à deriva há anos, não porque Deus esteja em silêncio, mas porque decidiram transformar fé em desculpa para a passividade. Querem ouvir a voz de Deus, mas ignoram os passos que Ele já ordenou. Querem portas abertas, mas não se levantam para caminhar até a maçaneta. Esquecem que a fé sem obras é morta, como afirma Tiago com dureza e amor pastoral ao mesmo tempo: “Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma” (Tiago 2:17). Não é falta de promessa; é falta de movimento.
Jesus nunca prometeu remar no nosso lugar. Ele prometeu presença. “E eis que estou convosco todos os dias” (Mateus 28:20). Estar no barco não significa assumir os remos, mas garantir que as ondas não terão a palavra final. O milagre não acontece na preguiça espiritual, mas no encontro exato entre o suor humano e a graça divina. Foi quando o povo pisou no Jordão que as águas se abriram. Foi quando o cego decidiu obedecer e se lavar no tanque que passou a ver. Deus age quando a obediência fere as águas.
Remar cansa. Exige constância quando ninguém aplaude, perseverança quando o horizonte parece não sair do lugar. Mas cada remada é uma confissão silenciosa de fé, um grito que sobe aos céus dizendo: “Eu creio o suficiente para me mover”. Enquanto você não agir, a promessa continuará sendo apenas uma paisagem distante. A direção já foi dada; o barco está preparado; a presença de Deus é garantida. Agora resta uma escolha que confronta a alma: confiar na bússola sem soltar os remos.
Confie na direção, sim. Mas continue remando. Porque a fé verdadeira nunca fica parada.
Pr. Rodrigo Deiró


Amém
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