O Consolador para os quebrantados
Há uma mentira silenciosa
que, aos poucos, se instala no coração de muitos cristãos: a ideia de que o
Espírito Santo é concedido apenas àqueles que alcançaram um certo nível de
santidade, maturidade ou desempenho espiritual. Como se Ele fosse um troféu entregue
após uma vida impecável. A frase de A. W. Tozer desmonta essa ilusão com
firmeza e graça: o Espírito Santo não é um prêmio para os perfeitos, mas
um presente para os necessitados. E isso muda tudo, porque nos coloca
no lugar certo diante de Deus, não como vencedores exibindo méritos, mas como
filhos dependentes clamando por ajuda.
Quando Jesus diz: “E
eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco
para sempre” (João 14:16), Ele não está falando a discípulos fortes,
autossuficientes e espiritualmente impecáveis. Ele fala a homens confusos,
inseguros, prestes a negar, fugir e duvidar. É justamente nesse contexto de
fragilidade que a promessa do Consolador é liberada. O Espírito Santo não vem
porque eles são fortes; Ele vem porque eles são fracos. Ele não é a recompensa
da vitória, mas a presença que nos sustenta no meio da batalha.
Pense em um hospital. Ali
não se entra para receber medalhas, mas para receber cura. Da mesma forma, o
Espírito Santo não habita em nós porque estamos saudáveis espiritualmente, mas
porque reconhecemos nossa doença. Quem se julga forte demais não pede ajuda.
Quem se acha justo demais não clama por socorro. Mas quem conhece a própria
limitação abre espaço para a ação do Consolador. O problema não é ser
necessitado; o problema é fingir que não é.
Há crentes vivendo
exaustos, secos e frustrados porque estão tentando merecer aquilo que só pode
ser recebido pela graça. Esforçam-se para parecer espirituais, quando o
Espírito é dado àqueles que se rendem. O Consolador não vem para aplaudir nossa
performance, mas para sustentar nossa fraqueza. Ele não vem apenas nos momentos
de glória, mas principalmente nas horas de choro, dúvida e quebrantamento. É na
sala fechada do medo que Ele entra; é no coração cansado que Ele faz morada.
Jesus ainda afirma que o
Espírito ficaria “para sempre”. Isso significa que Ele não nos abandona quando
erramos, não se afasta quando tropeçamos e não nos deixa quando falhamos. Ele
permanece. O mesmo Espírito que consola também confronta, não para nos destruir,
mas para nos transformar. Ele expõe o pecado não para nos envergonhar, mas para
nos curar. Ele aponta o caminho não com gritos de condenação, mas com a firmeza
de quem nos ama demais para nos deixar onde estamos.
Se você sente que não é digno, que não é forte o suficiente ou que falha demais, saiba: você é exatamente o tipo de pessoa para quem o Espírito Santo foi prometido. Não espere se tornar perfeito para recebê-Lo. Reconheça sua necessidade, renda-se, abra o coração. O Consolador não é um prêmio no fim da caminhada; Ele é a presença de Deus que nos capacita a continuar caminhando.
Pr. Rodrigo Deiró



Que assim seja.
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