Quando a Cura da Terra Começa no Altar
Existem
textos das Escrituras Sagradas que não são apenas promessas, são alianças
seladas com palavras claras, firmes e quase jurídicas. “Se o meu povo,
que se chama pelo meu nome [...]”, assim começa o Senhor em 2 Crônicas
7:14. Deus não está falando com as nações pagãs, muito menos com os ímpios que
nunca O buscaram. Ele chama o Seu povo, aqueles que carregam o
Seu nome, que se identificam como pertencentes a Ele. A aliança não começa com
o mundo; começa dentro de casa. É como um pai que chama os filhos para a sala
antes de falar com a vizinhança. A responsabilidade espiritual sempre começa
entre os que dizem: “Somos do Senhor”.
Esse
texto tem a estrutura de um contrato espiritual, não no sentido frio da
burocracia, mas na seriedade de um compromisso santo. Deus se apresenta como o
Autor da aliança, o Senhor soberano que governa céus e terra. O povo é o
destinatário, o contratado. E as cláusulas são claras, sem letras miúdas, sem
ambiguidades. Ele diz: “se o meu povo se humilhar, e orar, e buscar a
minha face, e se converter dos seus maus caminhos…”. Observe que não
são sugestões piedosas, são condições espirituais. Humilhar-se não é falar
baixo nem aparentar santidade; é descer do trono do ego, reconhecer que não
sabemos tudo, que não controlamos tudo, que dependemos completamente da graça.
É o oposto da soberba religiosa que canta louvores, mas não dobra o coração.
Orar,
aqui, não é repetir frases decoradas, mas entrar em diálogo sincero com Deus,
expondo feridas, pecados, medos e culpas. Buscar a face do Senhor vai além de
buscar Suas mãos. Muitos querem o favor, mas poucos desejam a presença. É como
um relacionamento em que se ama mais os presentes do que a pessoa. Deus não se
deixa usar. Ele se revela àqueles que o buscam pelo que Ele é, não apenas pelo
que Ele pode fazer. E converter-se dos maus caminhos significa mudança real de
direção. Não é remorso emocional, é arrependimento prático. É parar de
justificar o pecado, parar de negociar com o erro, parar de chamar
desobediência de fraqueza humana.
Então,
e somente então, Deus assume a sua parte da aliança: “então eu ouvirei
dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra”. O céu se
move quando a Igreja se ajoelha. O perdão vem quando há arrependimento
verdadeiro. E a terra é sarada quando o povo de Deus abandona caminhos doentes.
Muitas vezes clamamos por cura social, moral e espiritual enquanto preservamos
pecados pessoais, achando que Deus fará vista grossa. Mas Deus não sara a terra
ignorando o altar. Ele começa curando o coração do Seu povo.
Esse
texto não foi escrito para o mundo perdido. O mundo não tem obrigação de se
humilhar diante de um Deus que não conhece. Quem tem essa responsabilidade
somos nós. Se ficarmos esperando que o mundo mude para que Deus intervenha,
continuaremos frustrados. A restauração não começa na política, na cultura ou
na mídia; começa na Igreja, começa em mim, começa em você. É como tentar
consertar uma casa pintando a fachada enquanto o alicerce está rachado. Deus
não trabalha assim. Ele vai à raiz.
Essa aliança revela um Deus fiel, que nunca falha em cumprir o que promete, mas também revela um povo chamado à maturidade espiritual. Fé e obediência caminham juntas. Não há promessa sem contrapartida, nem colheita sem semeadura. Se quisermos ser ouvidos nos céus, precisamos primeiro nos quebrantar na terra. Se desejamos ver milagres em nosso meio, precisamos permitir que Deus faça uma obra profunda dentro de nós. Quando o povo de Deus se levanta em arrependimento genuíno, o céu se abre, o perdão flui e a terra, antes seca, começa a ser restaurada pela graça daquele que é fiel à sua aliança
Pr. Rodrigo Deiró



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