Quando Deus fecha para proteger e abre para promover
Na vida existem portas que
parecem intransponíveis, e muitos se desesperam tentando abri-las com a força
da vontade, da influência ou da aparência. Mas quando o Senhor determina um
tempo, um lugar e uma porta, Ele mesmo se responsabiliza por abri-la. Forçar a
entrada onde Deus ainda não falou é assumir um papel que nunca nos pertenceu. A
Bíblia declara com clareza quem governa as portas da história: “E ao anjo
da igreja que está em Filadélfia escreve: Isto diz o que é santo, o que é
verdadeiro, o que tem a chave de Davi, o que abre, e ninguém fecha, e fecha, e
ninguém abre” (Apocalipse 3:7). Deus não é um patrocinador de
oportunidades procuradas, Ele é o Deus que possui uma chave. Ele não apenas
conhece portas, Ele governa sobre elas. Quando Ele abre, nenhum sistema,
pessoa, inveja ou perseguição consegue fechar. E quando Ele fecha, não há argumento,
currículo, influência ou insistência capaz de escancarar o que já foi selado
pelo céu.
Imagine alguém batendo em
uma porta que está trancada por dentro, esmurrando, gritando, se desgastando,
enquanto, logo ao lado, há outra porta discretamente entreaberta, preparada por
Deus, aguardando apenas que essa pessoa pare de lutar com a errada. Quantas
oportunidades que pareciam perfeitas hoje se revelam armadilhas amanhã? Quantos
relacionamentos, posições ou caminhos que foram negados por Deus mais tarde se
mostraram destrutivos? Assim muitos vivem: insistindo em relacionamentos que
Deus já fechou, oportunidades que Deus já cerrou, lugares dos quais Deus já os
moveu, tudo porque não suportam a ideia de que um “não” de Deus também é
proteção. As portas que Deus abre te promovem, mas as que Ele fecha te guardam
de precipitações, de alianças tóxicas, de ambientes que destruiriam sua fé. “O
Senhor guarda aos símplices; estava abatido, mas ele me livrou” (Salmo
116:6). Deus fecha portas não para nos frustrar, mas para nos preservar
inteiros.
Por outro lado, quando chega
o tempo determinado, a graça d'Ele funciona como uma chave silenciosa: não há
necessidade de empurrões, manipulações ou atalhos carnais. As portas de Deus se
abrem com paz, ainda que tragam desafios. Elas nos promovem porque vêm
acompanhadas da aprovação do céu. José não precisou forçar o palácio; ele foi
fiel na prisão, e no tempo certo Deus escancarou uma porta que ninguém poderia
fechar. Davi não correu atrás do trono; enquanto cuidava de ovelhas, Deus
preparava o reino. “Mas Deus é o juiz: a um abate, e a outro exalta”
(Salmos 75:7). Promoção que vem de Deus não nasce da pressa, nasce da
obediência.
Forçar uma porta é
declarar, ainda que em silêncio, que não confiamos no caráter de Deus nem no
Seu tempo. Esperar é um ato profundo de fé. É dizer: “Senhor, se esta porta
é minha, ela se abrirá; se não for, eu aceito a Tua proteção”. A Escritura
afirma: “Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará”
(Salmos 37:5). O descanso da alma está em saber que não precisamos competir,
provar ou lutar por aquilo que o Pai já determinou.
Portas fechadas não são o fim da história; muitas vezes são o cuidado invisível de Deus nos poupando de dores que não suportaríamos. Portas abertas não são acaso; são respostas, alinhamentos e confirmações do céu. Quem aprende a confiar no Deus das portas caminha sem desespero, sem inveja e sem pressa. No tempo certo, a porta se abre sozinha. E quando isso acontece, você não entra machucado, culpado ou exausto. Você entra em paz, sabendo que não foi sua força que abriu, mas a fidelidade de Deus que sempre soube exatamente o que estava fazendo.



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