Quando o amor é maior que tudo


 

Por amor a Cristo, renuncie o que for preciso. A verdadeira renúncia não está em simplesmente abrir mão de algo, ela é mais profunda do que isso. Não é sobre o que você deixa para trás, mas sobre o porquê você deixa. O foco da renúncia não está no sacrifício em si, mas no valor inestimável do que foi encontrado. Porque, quando você encontra algo que vale mais do que qualquer outra coisa, as demais coisas deixam de ter peso, de ter importância. Elas simplesmente perdem a prioridade dentro do seu coração.

Em Mateus 13:44, Jesus nos dá uma metáfora simples, mas profunda: “Também o Reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido num campo que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem e compra aquele campo”. Este homem, ao encontrar o tesouro, não pensa duas vezes em abrir mão de tudo o que possuía. Ele vendeu tudo, e não foi um ato de sofrimento ou pesar, mas uma escolha alegre e decidida.

Qual é a causa dessa entrega total? Ele encontrou o tesouro. E esse tesouro tinha tanto valor que, ao compará-lo com tudo o que possuía, nada mais parecia significativo. Ele não precisou ser persuadido a abrir mão de tudo, porque o tesouro em questão era infinitamente mais precioso do que qualquer outra coisa que ele tivesse. A verdadeira renúncia surge da revelação do valor.

Ângelo Bazzo, em um de seus escritos, alerta-nos para o erro comum de exigir que as pessoas “deixem tudo”, quando, na verdade, elas ainda não viram o tesouro. Como podemos esperar que alguém entregue tudo, se ainda não entendeu o verdadeiro valor do Reino dos Céus? O foco não deve estar na renúncia, mas na revelação do valor que é encontrado ao conhecer a Cristo. Quando o Reino de Deus é revelado, quando o coração vê com clareza a grandeza de Cristo, abrir mão das coisas passageiras não é mais um peso, mas uma consequência natural. Porque quando se encontra o tesouro verdadeiro, as outras coisas perdem o seu brilho.

A verdade é que o evangelho não nos chama a um sacrifício forçado, a uma vida de autonegação vazia, mas a uma troca abundante e cheia de alegria. "Jesus não veio para ocupar um lugar na sua vida, mas para ser a sua vida". Essa citação de John Piper resume bem a ideia: Cristo não é um acréscimo à nossa vida, Ele é a nossa vida. Quando Cristo ocupa o centro do nosso ser, as outras coisas, com todo o seu valor relativo, se tornam secundárias. Elas já não competem com o tesouro que Ele é.

Imagine um homem que encontra uma joia rara em um campo. Ele não vai hesitar em vender suas coisas para adquirir aquele campo, porque ele sabe que a joia que encontrou vale mais do que tudo o que ele possui. Ele não vai olhar para os bens materiais com pesar, ele vai olhar para eles como o preço a ser pago para alcançar o que realmente importa. Assim é o Reino dos Céus. Quando o vemos com clareza, as coisas do mundo se tornam secundárias.

Portanto, a verdadeira renúncia não vem de um esforço humano para “deixar” as coisas, mas da revelação divina de algo muito maior, mais eterno, mais belo e mais satisfatório. Quando Cristo se torna tudo para nós, não haverá mais dificuldades em abrir mão do que é passageiro, porque o que encontramos é eterno. Nosso coração, então, já não deseja mais as coisas que antes o preenchiam. A alegria de ter encontrado o Tesouro não permite que sejamos consumidos pelas coisas do mundo. Porque em Cristo, encontramos tudo o que precisamos.

Por isso, se você sente que ainda não conseguiu renunciar, a questão pode não ser sua falta de esforço, mas uma falta de visão. Busque ver mais claramente o valor do Reino de Deus. Abra os olhos para o que Cristo realmente representa. Ele é o Tesouro escondido, a pérola de grande valor. E ao vê-Lo como Ele realmente é, o resto virá com naturalidade. Afinal, quem encontra um tesouro tão precioso não pensa duas vezes antes de deixá-lo tudo para tê-Lo.

Pr. Rodrigo Deiró

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