Videira sem fruto: O perigo do privilégio sem propósito
No estudo de Ezequiel 15,
o profeta fala a um povo que ainda se apoiava em uma falsa segurança. Jerusalém
estava de pé, o templo ainda existia, a identidade de “povo escolhido”
ainda era repetida como um amuleto. Mas, aos olhos de Deus, a videira já estava
seca por dentro. A pergunta divina é direta e desconcertante: “Que mais é
a madeira da videira do que qualquer outro, o sarmento que está entre as
árvores do bosque?” (Ezequiel 15:2). Deus desmonta a ilusão de valor
automático. A videira só tem sentido enquanto dá fruto. Sem fruto, ela não
serve nem para construção, nem para utensílios, nem sequer para um prego. É
madeira frágil, inútil, descartável.
Essa imagem é dura porque
expõe o erro de confiar na posição em vez do propósito. Israel cria que, por
ser videira escolhida, jamais seria cortada. Mas Deus deixa claro que eleição
sem frutificação não impressiona o céu. Outras árvores, mesmo comuns, ainda têm
utilidade; a videira infrutífera, não. Ela só tem um destino lógico: o fogo. O
juízo aqui não é capricho divino, é consequência espiritual. Uma vida que não
cumpre o propósito para o qual foi plantada perde o sentido da sua permanência.
O mais assustador é
perceber que a videira já estava parcialmente queimada. O texto diz que o fogo
já havia consumido uma parte, e mesmo assim ela continuava inútil (Ezequiel
15:4). Isso revela que sofrimento não gera valor automaticamente. Dor não
transforma caráter por si só. Há pessoas que passam pelo fogo, mas não se
arrependem; atravessam crises, mas não frutificam. A madeira meio queimada não
se torna melhor, apenas fica mais próxima do fim. O juízo progressivo de Deus é
também um alerta misericordioso, um último chamado antes da destruição total.
Quando Deus aplica a
parábola e declara: “Assim entregarei os habitantes de Jerusalém”
(Ezequiel 15:6), Ele mostra que não protege indefinidamente aquilo que trai o
Seu propósito. “Porei a minha face contra eles” (v.7) é a
retirada da cobertura, da proteção e da paciência. O resultado histórico foi a
invasão babilônica e a destruição do templo. O resultado espiritual é sempre o
mesmo: esterilidade gera abandono e abandono gera ruína.
Deus continua avaliando
Seu povo não pela aparência da videira, mas pelo fruto que ela produz. Isaías
já havia denunciado uvas azedas; Ezequiel agora declara madeira inútil. No Novo
Testamento, Jesus leva essa verdade ao seu ápice ao dizer: “Eu sou a
videira verdadeira” (João 15:1). Fora d’Ele, não há fruto; longe d’Ele,
até a identidade se torna vazia. O cristão que preserva a forma, mas rejeita a
obediência, corre o risco de existir sem propósito. Privilégio sem compromisso
sempre termina em juízo. Quantos vivem hoje apoiados em frases como: “Sou
salvo”, “Sou da igreja desde criança”, “Tenho ministério”,
como se isso garantisse automaticamente aprovação divina? É como uma videira
que se gaba de ter sido plantada na melhor terra, regada pelo melhor
agricultor, mas não entrega o que se espera dela. Na prática, isso se manifesta
em vidas onde não há arrependimento real, não há renúncia, não há
transformação, não há caráter, não há frutos de justiça. São pessoas que
preferem a segurança da posição à responsabilidade do propósito. Querem o nome
no livro de membros, mas não querem o nome de Cristo estampado no estilo de
vida.
Essa mensagem não é para
gerar medo, mas temor. Não é para condenar, mas despertar. Uma vida que não
glorifica a Deus na prática, que não produz frutos visíveis de arrependimento,
justiça e amor, está espiritualmente seca, mesmo que ainda esteja plantada no
terreno religioso. Deus não se impressiona com rótulos, cargos ou histórico;
Ele procura fruto. E o chamado é urgente: permanecer em Cristo, alinhar-se ao
propósito, viver de modo intencional. Porque, no Reino de Deus, existir não é
suficiente. Fomos plantados para frutificar.
Oração
Amado Deus, Eterno Pai,
Nós te agradecemos por
nos teres plantado em Tua vinha e por nos dares a oportunidade de produzir
frutos para a Tua glória. Perdoa-nos pelas vezes em que fomos como a videira
inútil, focando em privilégios sem cumprir o nosso propósito. Ajuda-nos a
permanecer em Jesus, a Videira Verdadeira, para que, cheios do Espírito Santo,
possamos produzir abundantemente frutos de justiça, amor e santidade. Que nossas
vidas sejam úteis em Teu Reino. Em nome de Jesus, amém.
Pr. Rodrigo Deiró



AMÉM!
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