Chamado que quebra o ego


 

O chamado não nasce quando alguém deseja ser visto, mas quando alguém decide obedecer. Há uma diferença profunda entre querer destaque e aceitar destino. O destaque alimenta o ego; o chamado esmaga o ego. O destaque procura palco; o chamado conduz ao altar. E altar sempre envolve entrega.

Quando Jesus chamou os discípulos, Ele não ofereceu conforto. Em Lucas 9:23, Ele afirma que se alguém quiser ir após Ele, deve negar a si mesmo, tomar cada dia a sua cruz, e segui-Lo. O chamado começa onde a vontade própria termina. Quem é chamado inevitavelmente será confrontado, tratado e moldado. Deus não unge vaidades, Ele quebra resistências.

Veja Moisés. Antes de libertar uma nação, precisou ser esvaziado no deserto. Davi, antes do trono, enfrentou cavernas, perseguição e silêncio. Pedro, antes de pregar para multidões, precisou chorar amargamente depois de negar o Mestre. O padrão não muda. O chamado sempre passa pelo processo. Deus não forma servos para aplausos, forma filhos para fidelidade.

Chamado gera renúncia. Não existe ministério verdadeiro sem cruz, sem perda e sem lágrimas. Paulo escreveu em 2 Timóteo 2:12: “Se sofrermos, também com ele reinaremos”. Sofrer não é acidente no caminho, é parte da formação. É como o oleiro que aperta o barro para tirar o ar e as imperfeições. O barro pode não entender a pressão, mas sem ela jamais terá forma. Assim é o chamado. Ele aperta, confronta, expõe intenções escondidas e purifica motivações.

Quem busca apenas conforto não está pronto para o altar. Altar é lugar de fogo. Fogo não destrói o que é verdadeiro, mas consome o que é superficial. O ministério não existe para inflar vaidades, mas para produzir caráter. Há pessoas que querem o microfone, mas fogem do secreto. Querem a visibilidade, mas rejeitam o quebrantamento. Isso não é chamado, é ambição com linguagem espiritual.

Se você deseja um chamado sem feridas, talvez esteja buscando um hobby religioso. Porque o chamado real toca áreas que doem. Ele confronta orgulho, trata inseguranças, expõe medos. E muitas vezes o silêncio de Deus parece ensurdecedor. Há momentos em que você ora e o céu parece fechado. Mas é nesse silêncio que o caráter é forjado. Jó não recebeu explicações imediatas, recebeu processo. E no fim declarou em Jó 42:5: “Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te veem os meus olhos”. O sofrimento aprofundou a revelação.

O ego precisa morrer para que a vontade do Pai permaneça. João Batista entendeu isso quando disse, em João 3:30, que era necessário que o Senhor crescesse e que ele diminuísse. Essa é a essência do chamado. Diminuir para que Cristo apareça. Desaparecer para que Deus seja visto. O chamado nunca termina na exaltação do homem, sempre culmina na glória de Deus.

Vale a pena obedecer. Vale a pena permanecer quando tudo dentro de você quer desistir. Vale a pena continuar fiel quando ninguém está aplaudindo. Porque no fim, o chamado não será medido por aplausos, mas por fidelidade. E quando tudo passar, o que permanecerá não será o nome do servo, mas a glória do Senhor que o chamou.

Pr. Rodrigo Deiró

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas