Nada permanece igual ao toque de Deus
Há encontros que não permitem retorno. Depois deles, até o caminho de volta parece estranho, porque quem volta já não é o mesmo. A Bíblia está cheia dessas colisões santas entre Deus e o homem, momentos em que a vida é atravessada pela eternidade e a pessoa sai mancando, como Jacó, mas sai com um novo nome, uma nova história e uma nova direção. É por isso que é impossível continuar o mesmo depois de um encontro real. Quando Deus toca, Ele não apenas visita; Ele permanece. E onde Ele permanece, nada fica como antes.
A.W. Tozer disse que “nenhum homem é o mesmo depois que Deus põe a mão nele”, e essa afirmação ecoa as Escrituras. "E aconteceu que, descendo Moisés do monte Sinai (e Moisés trazia as duas tábuas do Testemunho em sua mão, quando desceu do monte), Moisés não sabia que a pele do seu rosto resplandecia, depois que o Senhor falara com ele" (Êxodo 34:29). Moisés sobe ao monte como um homem comum e desce com o rosto resplandecendo, a ponto de o povo não conseguir encará-lo. Isaías entra no templo achando que está tudo sob controle, mas ao ver o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, cai em si e confessa: “ai de mim, que vou perecendo!” (Isaías 6:5). Pedro lança a rede como um pescador experiente, mas depois do milagre se prostra e diz: “Senhor, ausenta-te de mim, porque sou um homem pecador” (Lucas 5:8). Em todos esses casos, o encontro revela quem Deus é e, ao mesmo tempo, quem nós somos de verdade. A ficha cai. A máscara cai. A ilusão de controle cai.
Não se trata de religião, nem de um verniz espiritual para parecer melhor por fora. É algo mais profundo, algo que mexe na essência. O toque de Deus não vem apenas para aliviar a dor de hoje; ele vem para redefinir o amanhã. Quando Ele põe a mão, muda o jeito como você olha para o futuro, porque passa a entender que sua história não está solta no acaso, mas guardada em um propósito eterno. Muda a forma de lidar com as crises, porque você descobre, como Paulo, que “quando estou fraco, então, sou forte” (2 Coríntios 12:10). Muda o valor que você dá à eternidade, porque o coração deixa de viver apenas para o agora e passa a desejar “as coisas que são de cima” (Colossenses 3:1).
Muitos se afastam desse encontro porque acreditam estar quebrados demais, sujos demais, atrasados demais. Mas isso é exatamente o tipo de pessoa que Deus procura. Ele nunca buscou gente pronta; Ele sempre buscou gente disponível. O oleiro não rejeita o barro por estar mole ou deformado; é justamente assim que ele pode ser moldado. A Palavra diz que “Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias” e “as coisas fracas… para confundir as fortes” (1 Coríntios 1:27). Aquilo que o mundo descarta, Deus recolhe com cuidado e transforma em obra-prima da graça.
É verdade que a mudança nem sempre é instantânea em todos os aspectos. Existe processo, existe tratamento, existe caminhada. Mas a direção muda no primeiro toque. Quem encontra Jesus de verdade não consegue mais viver confortável no pecado, indiferente à dor do outro ou cego para a eternidade. Algo dentro começa a incomodar, a alinhar, a puxar para mais perto de Deus. É o Espírito Santo trabalhando silenciosamente, como fermento na massa, até que tudo seja levedado.
Se hoje você sente fome por esse toque renovador, saiba que esse desejo já é um sinal de que Deus está perto. E se você já vive essa realidade, lembre-se que a marca da mão d'Ele sobre você é a garantia de que você nunca mais caminhará sozinho. Aquele que tocou sua vida é o mesmo que prometeu: “Não te deixarei, nem te desampararei” (Hebreus 13:5). Depois de um encontro real, a estrada pode até ser estreita, mas ela nunca mais será vazia.
Pr. Rodrigo Deiró
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Amém
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