O derramar que nos envia

 



Há promessas que não nascem no coração do homem, mas no próprio coração de Deus. Elas não são fruto de desejo humano, nem resposta a uma necessidade momentânea, mas decretos eternos que caminham pela história até o dia do seu cumprimento. Quando o Senhor declara: “E há de ser que, depois, derramarei o meu Espírito sobre toda a carne” (Joel 2:28), Ele não está sugerindo uma possibilidade, mas anunciando uma certeza. Aquele que prometeu virá, e não tardará. O tempo pode parecer longo aos nossos olhos, mas o relógio de Deus nunca atrasa.

O profeta Joel falou a um povo ferido, assolado pela escassez e pelo juízo, mas Deus não encerra Sua palavra no juízo; Ele sempre aponta para a restauração. O derramar do Espírito surge como chuva após a seca, como vida brotando em solo rachado. E o derramar não é seletivo. Deus não disse que derramaria sobre os mais preparados, os mais santos ou os mais experientes. Ele disse: “sobre toda a carne”. Homens e mulheres, jovens e velhos, filhos e filhas. O Espírito não respeita barreiras sociais, etárias ou culturais; Ele respeita apenas corações disponíveis.

Séculos depois, em Atos 2, Pedro se levanta no meio da confusão do Pentecostes e declara com ousadia: “Isto é o que foi dito pelo profeta Joel” (Atos 2:16). Aquilo que parecia desordem era, na verdade, cumprimento. O céu havia descido à terra. O derramar começou ali, mas não se esgotou ali. O erro de muitos é transformar o Pentecostes em um monumento histórico, quando ele foi estabelecido como um movimento contínuo. Deus não nos chamou para viver de lembranças de avivamentos passados, mas de uma dependência diária de um Espírito que continua sendo derramado.

Esse derramar, porém, não é um fim em si mesmo. Ele não existe apenas para provocar emoções ou experiências espirituais intensas. O Espírito não foi dado para nos entreter, mas para nos enviar. Jesus foi claro ao dizer: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas” (Atos 1:8). O poder precede a missão. O fogo vem antes do testemunho. O Espírito nos capacita para viver aquilo que a carne jamais conseguiria sustentar.

É como um vaso vazio colocado debaixo de uma fonte inesgotável. O problema não está na falta de água, mas na posição do vaso. Muitos pedem o derramar, mas resistem ao envio. Querem o poder, mas fogem do propósito. No entanto, quando clamamos “derrama o Teu Espírito”, estamos, consciente ou inconscientemente, fazendo uma oração perigosa e profunda. Estamos dizendo: “Senhor, confronta a nossa apatia, desperta a Tua igreja, capacita-nos com poder do alto e envia-nos para cumprir a Tua vontade, custe o que custar”.

O derramar do Espírito é Deus nos lembrando de que não fomos chamados para uma fé estéril, mas para uma vida frutífera. É o céu invadindo a terra para que ela seja transformada. A promessa permanece viva, pulsante, atual. Aquele que prometeu virá. Ele não se esqueceu da Sua palavra. O Espírito continua sendo derramado. A pergunta não é se Deus está disposto, mas se nós estamos posicionados para receber e obedecer.


Pr. Rodrigo Deiró

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