O Governo de Cristo sobre as Nações


 

Vivemos em tempos em que a segurança é buscada em fortalezas humanas, em estratégias políticas, em poderio econômico ou militar. Contudo, o pastor John Piper, nos lembra que nenhuma nação está segura por sua força; ela está segura apenas porque Deus decide ser misericordioso. Esta não é uma mera opinião teológica, mas a própria essência da revelação divina, ecoada nas Escrituras Sagradas: “Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor” (Salmo 33:12). Ela não fala de nações abençoadas por seus exércitos, por suas riquezas ou por seus líderes carismáticos, mas por uma única e intransferível realidade: a soberania de Deus sobre elas. É um convite à humildade, um confronto direto com a arrogância humana que insiste em depositar sua confiança em carros e cavalos, em vez de no Senhor dos Exércitos.

No Egito, Faraó, o homem mais poderoso de sua época, sentava-se na cadeira do poder, ostentando uma autoridade que parecia inabalável. Mas a graça que sustentava a estabilidade daquela nação, a verdadeira força que impedia o caos, não estava nos seus decretos, mas sobre um escravo hebreu, José. Foi a fidelidade de José, a sabedoria que Deus lhe concedeu, que preservou o Egito da fome e da ruína. A cadeira do poder era de Faraó, mas o governo espiritual, a mão que de fato movia os ponteiros da história, era de Deus, operando através de José.

Da mesma forma, na vasta e imponente Pérsia, o rei Assuero ocupava o trono, cercado de pompa e glória. Mas quando a nação se viu à beira de um extermínio planejado, a salvação não veio do poderio real, mas de uma jovem judia, Ester. Ela, em sua aparente fragilidade, foi o instrumento divino para proteger o povo de Deus. A cadeira podia conferir autoridade humana, mas era o céu que liberava o governo espiritual, a intervenção soberana que mudou o curso da história.

Esses exemplos bíblicos são mais do que meras narrativas; são espelhos que refletem a nossa própria realidade. Isso nos constrange. Porque preferimos discutir quem está na cadeira em vez de discernir quem está de joelhos. Falamos de sistemas, partidos e líderes, mas ignoramos que o verdadeiro termômetro espiritual de uma nação é a presença de Deus no meio do seu povo. A Bíblia não diz bem-aventurada é a nação que tem o exército mais forte, a moeda mais valorizada ou a tecnologia mais avançada. Diz bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor. Quando Deus é rejeitado, nenhuma estrutura sustenta por muito tempo. Quando Deus é honrado, até em meio a crises há livramento. A salvação de uma nação, a verdadeira segurança, não emana da cadeira do poder, não brota das assembleias legislativas, nem é forjada nos gabinetes presidenciais. Ela vem do céu. E essa esperança, meus irmãos, não é uma abstração, um conceito etéreo ou uma utopia distante. Ela tem nome, tem rosto e tem morada. Foi isso que o apóstolo Paulo nos revela: “Cristo em vós, esperança da glória” (Colossenses 1:27).

Se queremos ver nossa nação guardada, precisamos mais de joelhos dobrados do que de punhos erguidos. Mais de arrependimento do que de discursos inflamados. Deus não procura apenas governantes fortes; Ele procura intercessores fiéis. A cadeira pode impressionar os homens, mas é o céu que decide os rumos da história. E quando Cristo habita em nós, tornamo-nos instrumentos invisíveis de uma obra eterna. É assim que Deus preserva povos. É assim que Ele escreve a história. E é assim que a verdadeira segurança nasce, não da força humana, mas da misericórdia divina.

É Ele em nós que sustenta, mesmo quando tudo ao redor parece desmoronar. É Ele em nós que corrige, apontando os desvios e nos chamando de volta ao caminho da retidão. É Ele em nós que purifica, lavando as manchas do pecado e nos tornando vasos de honra. É Ele em nós que conduz, guiando-nos com sua mão poderosa, mesmo em tempos terríveis de provação e, paradoxalmente, em tempos gloriosos de avivamento. A verdadeira segurança, a esperança inabalável para a nação e para cada indivíduo, reside não na força do homem, mas na presença viva de Cristo em nossos corações. Que esta verdade nos confronte, nos exorte e nos impulsione a buscar o Reino de Deus em primeiro lugar, pois só Nele encontraremos a paz e a segurança que tanto almejamos.

Pr. Rodrigo Deiró


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