Unidos pela Paz
“Estas
seis coisas aborrece o Senhor, e a sétima a sua alma abomina [...] e o que
semeia contendas entre irmãos”
(Provérbios
6:16,19)
O pecado que Deus mais
abomina é a contenda entre irmãos. Não é apenas um pecado "comum",
mas aquele que ataca diretamente aquilo que Deus mais ama: a unidade. A
língua que espalha veneno, o coração que se alegra com a queda do outro, a boca
que destrói o que Deus deseja unir; esses são os instrumentos que o inimigo usa
para semear divisão. Essa contenda se infiltra nas famílias, nas igrejas, nas
amizades e, muitas vezes, passa despercebida. Ela começa com algo aparentemente
inofensivo, como um comentário "sincero", mas vai crescendo, se
tornando uma crítica, depois um julgamento e, por fim, você se torna um
instrumento de destruição sem perceber.
Lembre-se de que a boca
fala do que o coração está cheio. Quantos de nós não estamos cheios de veneno
sem sequer nos dar conta? E esse veneno não aparece apenas em palavras
agressivas. Ele se disfarça de preocupação, de opinião, até de "sinceridade".
Mas, aos olhos de Deus, tudo isso é destruição. Em Lucas 6:45, Jesus nos
alerta: "O homem mau, do mau tesouro do seu coração, tira o
mal". Deus vê o que está em nosso coração, e, se permitimos que
ele se encha de veneno, isso transbordará nas palavras que falamos. Não é algo
trivial. Deus trata a contenda entre irmãos como um ataque direto à unidade do
Seu Reino.
Em Mateus 5:9, Jesus diz:
"Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos
de Deus". Deus abomina o pecado que destrói o que Ele mais ama: os
relacionamentos. A fofoca mata a confiança, a calúnia mancha o caráter e a
discórdia apaga o Espírito Santo em nós. Muitas vezes, nem percebemos, mas
estamos abrindo portas para a destruição espiritual. E o pecado da contenda é
mortal porque é silencioso. Ele mata lentamente, destrói de dentro para fora,
e, por fim, separa irmãos que deveriam estar unidos em Cristo. Em Provérbios
18:21, a Bíblia nos ensina que a nossa língua tem o poder de construir ou
destruir, de dar vida ou de trazer morte.
A contenda entre irmãos
derruba famílias, separa amigos, quebra ministérios e paralisa destinos. Pense
na história de Miriã, que falou contra Moisés e pagou caro por isso. Absalão
semeou discórdia entre seu pai e o povo e colheu ruína. Não pense que, ao espalhar
contendas, você está apenas lutando contra pessoas. Na realidade, você está
lutando contra Deus.
Tiago 3:6 diz: "A
língua também é fogo, como mundo de iniquidade". A língua, quando
não vigiada, se torna uma chama destruidora, capaz de consumir tudo à sua
volta. O inimigo não precisa empurrar muito para nos levar a fofocar. Nosso
coração já tem a tendência de julgar, de criticar, de ferir. Por isso, Deus nos
ordena a vigiar a boca, o coração e as intenções. A santidade começa no
invisível, nas pequenas atitudes que ninguém vê, mas que definem quem realmente
somos.
O pecado da contenda é um
tema que raramente é pregado, porque ele confronta o nosso orgulho, o nosso ego
e o nosso interior. Mas é isso que Deus está nos chamando a fazer: olhar para
dentro e questionar: "Eu tenho sido ponte ou muro? Tenho unido ou
separado? Tenho curado ou ferido?" A resposta a essa pergunta revela o que
estamos nos tornando. "Examine-se, pois, o homem a si mesmo"
(1 Coríntios 11:28). Ser cristão não é apenas seguir regras externas; é ser
diferente, é ser uma ponte, não um muro. Ser cristão é ser cura, não ferida.
Ser cristão é renovar a mente todos os dias, escolher a vontade de Deus sobre a
nossa, lutar contra tudo o que contamina o nosso interior, e ser luz quando
todos escolhem as trevas.
Em Romanos 12:2, encontramos um convite: "Transformai-vos pela renovação da vossa mente". A transformação começa no coração, e é isso que Deus quer fazer em nós. Ele quer purificar nossas intenções, nossas palavras, e nossos relacionamentos. O pecado da contenda não é apenas algo a ser evitado, mas algo a ser combatido dentro de nós. Porque, quando permitimos que ele entre em nossos corações, estamos abrindo espaço para a destruição. Mas quando escolhemos ser pacificadores, estamos cooperando com Deus para edificar o Seu Reino. Que possamos, todos os dias, renovar nossa mente, vigiar nossa boca e buscar a unidade que é a vontade de Deus para nós.
Pr. Rodrigo Deiró



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