Corra para Deus



O cristão não é alguém que nunca erra. Se fosse assim, a cruz seria desnecessária. O cristão é aquele que, quando erra, não foge de Deus como Adão se escondeu entre as árvores, mas corre para Ele como um filho que sabe que, apesar da disciplina, ainda tem Pai.

A Bíblia não romantiza seus heróis. Ela os expõe. Mostra suas falhas sem maquiagem para que ninguém construa uma fé baseada em aparência. Davi adulterou, mentiu e matou. Seu pecado foi grave, público e devastador. Mas quando confrontado, ele não endureceu o coração. Ele se quebrou. No Salmo 51, ele clama: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto”. Isso não é discurso religioso, é grito de quem percebeu que o maior desastre não foi o erro cometido, mas a distância que o pecado cria entre a alma e Deus. Davi caiu, mas não permaneceu caído. Ele transformou sua vergonha em arrependimento e seu arrependimento em intimidade.

Pedro também caiu. Prometeu fidelidade até a morte e, poucas horas depois, negou Jesus três vezes. O texto diz que ele chorou amargamente. Não foi um choro teatral, foi o choro de quem percebeu que sua autoconfiança era maior que sua dependência. Ainda assim, o Cristo ressurreto não o cancelou. Restaurou-o. Aquele que negou tornou-se coluna da Igreja. Deus não ignorou o erro de Pedro, mas também não definiu Pedro pelo erro.

E o que dizer do apóstolo Paulo? Perseguiu cristãos, consentiu na morte de Estevão e respirava ameaças contra a Igreja. Mas quando encontrou Cristo no caminho de Damasco, não tentou justificar seu passado. Rendeu-se. A graça não apagou sua história, redirecionou-a. O que era culpa virou testemunho. O que era violência virou missão.

É por isso que a Escritura afirma: “Porque sete vezes cairá o justo e se levantará” (Provérbios 24:16). O texto não diz que o justo não cai. Diz que ele se levanta. A diferença entre o justo e o ímpio não é a ausência de quedas, é a reação após a queda. Um tropeça e se afunda no orgulho. O outro tropeça e corre para os braços do Pai.

Errar revela nossa fraqueza. Permanecer no erro revela nosso orgulho. Mas reconhecer, confessar e abandonar o pecado revela maturidade espiritual. Quando o Espírito Santo nos confronta, Ele não age como um juiz impaciente, mas como um artesão cuidadoso. A Palavra diz: “Porque o Senhor corrige o que ama e açoita a qualquer que recebe por filho” (Hebreus 12:6). A disciplina não é rejeição, é prova de filiação. Deus não disciplina estranhos, disciplina filhos. O mundo cancela quem falha. Deus transforma quem se rende. O mundo rotula. Deus restaura. O mundo expõe para humilhar. Deus expõe para curar. É como um médico que precisa tocar na ferida para que ela não infeccione. O toque pode doer, mas é o único caminho para a cura.

O cristão verdadeiro não é perfeito, é dependente. Não é impecável, é arrependido. Não é alguém que nunca cai, é alguém que aprendeu que o chão não é seu lugar permanente. Ele sabe que a pior queda não é moral, é espiritual. É cair e decidir ficar ali, abraçando o erro como identidade. Errar faz parte da humanidade. Voltar para Deus faz parte da fé. Cada tropeço pode se tornar uma escada se houver arrependimento verdadeiro. O arrependimento não é sentimento de culpa prolongado, é mudança de direção. É sair da estrada errada e retornar ao caminho estreito.

Se você caiu, não fuja. Corra. Se falhou, não se esconda. Confesse. Deus não está procurando pessoas impecáveis. Está procurando corações quebrantados. E um coração quebrantado, segundo a própria Palavra, Ele jamais desprezará.

Pr. Rodrigo Deiró


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