Entre a honra e a idolatria

 


A Bíblia nos ensina a tratar as pessoas com honra, mas também nos alerta contra o perigo de transformar essa honra em idolatria ou em bajulação. Essas três atitudes podem até parecer semelhantes por fora, mas diante de Deus são completamente diferentes no coração.

Honrar alguém é reconhecer aquilo que Deus colocou naquela pessoa. É olhar para alguém e perceber os dons, a autoridade, a posição ou a responsabilidade que lhe foram confiados. A honra reconhece valor sem perder a lucidez. A honra vê o que Deus depositou, mas não esquece que o vaso continua sendo humano. A própria Bíblia nos orienta sobre isso. Em Romanos 13:7 está escrito: “Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra”. Honrar, portanto, é um princípio bíblico. É reconhecer pais, líderes, autoridades, pastores, irmãos e pessoas que Deus usa. Quando honramos, estamos reconhecendo a graça de Deus que opera através delas.

Mas a honra verdadeira mantém equilíbrio. Ela reconhece que Deus colocou tesouros em vasos de barro. O apóstolo Paulo escreveu em 2 Coríntios 4:7: “Temos, porém, esse tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós”. Isso significa que podemos admirar o que Deus faz através de alguém sem transformar aquela pessoa no centro da nossa fé.

E é aqui que muitos se perdem. Quando a honra deixa de reconhecer Deus como fonte e começa a tratar pessoas como se fossem indispensáveis ou infalíveis, ela se transforma em idolatria. A idolatria não acontece apenas quando alguém se curva diante de uma imagem. Ela também acontece quando alguém coloca um ser humano no lugar que pertence somente a Deus.

Quantas vezes vemos pessoas que defendem homens mais do que defendem a verdade da Palavra. Pessoas que não questionam nada, não discernem nada, não confrontam nada, porque criaram um tipo de devoção humana. Isso é idolatria. A Bíblia é clara quando diz em Êxodo 20:3: “Não terás outros deuses diante de mim”. Quando alguém ocupa o trono da nossa admiração absoluta, da nossa confiança total e da nossa dependência espiritual, esse lugar deixou de ser de Deus. A idolatria é perigosa porque transforma líderes em deuses e seguidores em dependentes. E quando isso acontece, inevitavelmente virá frustração, porque todo ser humano é limitado. Quem idolatra pessoas está construindo sua fé sobre areia.

Mas existe ainda um terceiro comportamento que é ainda mais sutil e muito comum: a bajulação. Enquanto a idolatria nasce da devoção exagerada, a bajulação nasce do interesse. A bajulação é quando alguém trata bem não por respeito, mas por conveniência. É o elogio que esconde segundas intenções. É a palavra doce que na verdade está tentando abrir portas.

Em Judas 1:16 está escrito que existem pessoas que “admiram as pessoas por interesse”. Essa é a essência da bajulação. Não é honra, é estratégia. Não é respeito, é cálculo. O bajulador é como alguém que limpa o chão apenas na frente de quem pode lhe dar alguma vantagem. Ele sorri quando precisa, elogia quando convém e desaparece quando não há mais benefícios. Sua linguagem parece respeitosa, mas seu coração está negociando.

Se a honra nasce da verdade, a bajulação nasce da manipulação. A honra olha para alguém e diz: Deus te confiou algo valioso. A idolatria diz: você é indispensável. A bajulação diz: eu preciso de você para conseguir algo. A honra glorifica a Deus. A idolatria rouba a glória de Deus. Já a bajulação usa as pessoas.

Jesus nos ensinou um caminho diferente. Ele honrava pessoas sem idolatrá-las e tratava todos com dignidade sem bajulá-los. Ele lavou os pés dos discípulos, mas nunca manipulou ninguém nem buscou aplausos. Sua postura revelava um coração livre. Por isso a pergunta que permanece diante de cada um de nós é simples, mas profundamente confrontadora: Quando você trata as pessoas ao seu redor, você está honrando, idolatrando ou bajulando?

Porque Deus não procura admiradores cegos nem manipuladores interessados. Deus procura corações que saibam reconhecer o valor que Ele colocou nos outros sem esquecer que toda glória pertence somente a Ele.

Pr. Rodrigo Deiró

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