Forjados na tempestade: a fé que decide não afundar


 

"Por trás de cada pessoa forte, existe uma história de tempestades que lhes deu duas escolhas: afundar ou nadar"
(Billy Graham)

A frase de Billy Graham carrega um peso espiritual que muitos ignoram, porque é mais fácil admirar a força de alguém do que encarar o processo que a construiu. A verdade é que ninguém se torna forte em dias de céu limpo. A força que impressiona nasceu em noites de tempestade, em dias de silêncio de Deus, em momentos em que a alma foi pressionada até o limite.

A Palavra de Deus nos mostra que o sofrimento não é um acidente, é um instrumento. Em Isaías 43:2 está escrito que quando passares pelas águas, elas não te submergirão, e quando passares pelo fogo, não te queimarás. O texto não diz “se passares”, mas “quando passares”. A tempestade não é uma possibilidade, é uma certeza. A questão nunca foi evitar a tempestade, mas decidir o que você fará dentro dela.

Toda tempestade espiritual coloca diante de nós exatamente essas duas escolhas que Billy Graham mencionou. Afundar ou nadar. Afundar é se entregar à murmuração, é permitir que a dor se transforme em incredulidade ou olhar para Deus como alguém ausente. Nadar é confiar mesmo sem entender, é continuar avançando mesmo sem forças, decidindo que a Palavra de Deus vale mais do que os sentimentos.

Veja o exemplo de Pedro andando sobre as águas em Mateus 14. Enquanto os olhos estavam em Cristo, ele caminhava sobre aquilo que deveria afogá-lo. Mas quando olhou para o vento, começou a afundar. A tempestade não mudou. O que mudou foi o foco. E isso revela que não é a intensidade da tempestade que define se você afunda, mas a direção do seu olhar.

Há pessoas que hoje são consideradas fortes, mas o que ninguém viu foram as noites em que choraram sozinhas, em que quase desistiram ou os momentos em que oraram sem sentir nada. A força delas não veio da ausência de dor, mas da decisão de não parar no meio dela. Elas entenderam que Deus usa a tempestade para formar aquilo que o conforto jamais produziria.

Uma árvore que nunca enfrentou vento forte não cria raízes profundas. Da mesma forma, uma fé que nunca foi provada não se sustenta quando a pressão chega. O problema é que muitos querem o resultado da força, mas rejeitam o processo da tempestade. Querem autoridade espiritual sem quebrantamento, querem crescimento sem dor, querem vitória sem cruz. Isso não existe no Reino de Deus.

Em Romanos 5 está escrito que a tribulação produz paciência, a paciência experiência e a experiência esperança. Existe uma construção acontecendo dentro de você enquanto a tempestade está ao seu redor. Deus não está apenas te levando para fora dela, Ele está te transformando dentro dela. Então a pergunta não é se você já enfrentou ou ainda enfrentará tempestades. A pergunta é o que você tem feito dentro delas. Você tem afundado em medo, ansiedade e incredulidade, ou tem nadado pela fé, mesmo quando tudo parece contrário?

A sua dor não é o fim da sua história. Ela é o processo de construção da sua força. E quando tudo passar, porque vai passar, aquilo que quase te destruiu será exatamente o que Deus usou para te firmar.

Decida não afundar. Mesmo cansado, continue nadando. Mesmo com medo, continue confiando. Porque quem permanece firme na tempestade não apenas sobrevive a ela, mas sai dela com uma fé que nenhuma outra circunstância consegue abalar.

Pr. Rodrigo Deiró

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