O vazio que preenche: quando perder é ganhar
Um louvor tem sido
nacionalmente divulgado e nos traz uma mensagem muito forte. "Tudo é
perda", de Felipe Rodrigues, não fala sobre renúncia triste, mas sobre uma
troca gloriosa: deixarmos o que é passageiro para abraçarmos o que é eterno. É
um despertar para quem cansou de tentar carregar o mundo nas costas. É quando a
alma percebe que passou tempo demais tentando segurar o mundo com as próprias
mãos, acumulando conquistas, expectativas e pesos que, no fim, não preenchem. É
nesse lugar de esgotamento que uma verdade começa a ecoar com força: perder, em
Deus, nunca foi derrota, sempre foi caminho de vida.
O apóstolo Paulo afirmou
em Filipenses 3:7 – “Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por
Cristo”. Não é linguagem de quem desistiu da vida, é de quem finalmente
entendeu o valor real das coisas. Há perdas que libertam, há renúncias que
curam, há esvaziamentos que salvam. O problema é que fomos ensinados a
acumular, quando Deus nos chama a entregar.
“Eu sou a videira,
vós, as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim
nada podeis fazer” (João 15:5). Jesus confronta a
ilusão da autossuficiência. A ansiedade que muitos carregam nasce da tentativa
de produzir vida longe da fonte. É como um galho arrancado da árvore tentando
permanecer verde por esforço próprio. Por um tempo até parece vivo, mas por
dentro já começou a secar. Quando você admite que sem Ele nada pode fazer, algo
dentro de você descansa. Não é derrota, é alívio. Não é fraqueza, é libertação
de uma carga que nunca foi sua.
E então surge o clamor
que redefine tudo: “Se a tua presença não for conosco, não nos faças
subir daqui” (Êxodo 33:15). Moisés entendeu algo que muitos ainda não
compreenderam. Avançar sem Deus é retroceder disfarçado. Há portas que se
abrem, mas levam para longe da presença. O sucesso sem Deus é o fracasso mais
perigoso, porque engana enquanto afasta. Melhor é permanecer no deserto com a
presença do Senhor do que habitar em palácios onde Ele não está. Quem já provou
da presença sabe que nada substitui, nada se compara, nada satisfaz como Ele.
Quando essa verdade se
estabelece, o propósito da vida muda completamente. A Palavra diz: “E
tudo quanto fizerdes, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a
Deus Pai” (Colossenses 3:17). Isso transforma o ordinário em eterno. O
que antes era rotina passa a ser adoração. O que antes era obrigação se torna
entrega. A vida deixa de girar em torno do próprio ego e passa a refletir a
glória de Deus. Não se trata mais de construir um nome, mas de honrar um Nome.
O vazio que muitos temem
é, na verdade, o espaço que Deus deseja preencher. Enquanto você estiver cheio
de si, das suas vontades, dos seus planos e do seu controle, não haverá espaço
para o transbordar d’Ele. É por isso que o Reino de Deus funciona de forma
inversa ao sistema do mundo. Jesus deixou isso ainda mais claro quando disse
que quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder por amor d’Ele, a
encontrará. É renunciar ao controle, é confiar quando não entende, é obedecer
quando dói.
No fim, a grande verdade permanece: o que você está tentando segurar pode estar impedindo o que Deus quer te entregar. O vazio que assusta é, na verdade, o início do preenchimento. Quando você solta, Deus ocupa. Quando você diminui, Ele cresce. E quando Ele preenche, não há mais falta, não há mais peso, não há mais busca desesperada. Há paz. Há vida. Há um transbordar que não vem do que você tem, mas de quem habita em você.
Pr. Rodrigo Deiró



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